Jornal de Pomerode

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Guerreiras na luta contra o câncer

Para celebrar o Dia Mundial Contra o Câncer, no dia 04 de fevereiro, trouxemos histórias de pessoas que foram guerreiras e enfrentaram a doença. Essa é uma parte da história das pomerodenses Arita, Doraci e Rosineide, que lutaram contra o câncer de mama

55ed0a141319f58374e2f7ffceb9f82a.jpg Foto: -Arita, Rosineide e Doraci: três mulheres que são exemplo para todosIsadora Brehmer/JP

O câncer é o segundo fator que mais causa mortes em todo o mundo. Mas ainda existem milhões de pessoas que conseguem vencer essa batalha e superar a doença. E é para incentivar e homenagear estes vencedores que foi criado o Dia Mundial Contra o Câncer, celebrado no dia 04 de fevereiro. 

Uma estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta a ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de câncer no Brasil em 2016 e 2017, dos quais cerca de 180 mil serão de pele não-melanoma. Os cânceres de próstata (61 mil) em homens e mama (58 mil) em mulheres também serão os mais frequentes.

Em Pomerode, existem diversos casos de pessoas que já passaram por esse momento difícil em suas vidas e algumas histórias emocionam pela força que essas pessoas demonstraram para vencer essa batalha. 

Vencedoras. Essa pode ser a palavra que define as pomerodenses Arita Dumes Utech, de 49 anos, Doraci Jenichen Resner, 60 anos, e Rosineide Tatiana Frahm, de 36, que já superaram um câncer de mama. A única que continua na batalha é Doraci, que descobriu a existência de mais um câncer. 

O momento da descoberta do câncer e as várias sessões de quimioterapia são os momentos descritos como mais difíceis e que mais exigiram força destas mulheres. “Eu recebi o diagnóstico do câncer de mama em novembro de 2016, e quando soube, vieram o desespero e o medo. Também quando estava fazendo as quimioterapias, foi um momento horrível, porque me sentia sempre muito fraca e não conseguia fazer nada. Por causa da quimioterapia, também tive infecções frequentes, então foi um momento muito difícil”, relata Arita.

Já Doraci, afirma que os momentos mais difíceis eram quando recebia o resultado dos exames, pois tinha medo de que houvesse algo errado. “Eu descobri o câncer de mama pela primeira vez em 1998, e fiz o tratamento. Depois disso, fiquei cinco anos muito bem, até 2003, quando, em um exame de rotina, descobri que ele havia voltado, junto à uma metástase no pulmão. Por causa disso, sempre fico apreensiva ao fazer um exame. Quando pego o resultado, procuro um lugar para ficar sozinha para vê-lo, porque o medo é muito grande”, conta.

Os efeitos colaterais da quimioterapia foram o aspecto mais difícil para Rosineide, que sofreu com os efeitos dos corticoides. “Eles deixaram o meu corpo muito inchado. Para quem já estava perdendo o cabelo e as sobrancelhas, ter o corpo muito mais inchado que o normal abalou muito a minha autoestima, o que foi bem difícil”, revela. 

Por estas e muitas outras dificuldades enfrentadas, estas três guerreiras elencam o apoio da família como fundamental para que pudessem ter força durante a luta. Inclusive, para Rosineide, Arita e Doraci, foi a família a motivação principal. Mais especificamente filho e os netos.

“Meu filho tinha apenas quatro anos quando descobri o câncer de mama. Como já presenciei uma situação semelhante, em que uma criança, com a mesma idade do meu filho, perdeu a mãe para o câncer de mama, não queria que o meu passasse por isso. Esse pensamento me fez ter a vontade de viver”, conta Rosineide.

Já Doraci e Arita falam com emoção sobre os netos, que foram fundamentais como motivação na luta contra o câncer. Doraci contou que retirou uma parte da mama em 1998 e cinco anos depois, em 2003, teve uma metástase no pulmão. No mesmo ano, recebeu a notícia de que seria avó. A partir deste momento, a vontade de poder conhecer a neta e vê-la crescer foi o que deu força a Doraci.

“O que mais nos fortalece, durante a batalha contra o câncer, são as pessoas que nos apoiam e a fé. Também tenho uma neta e por ela sempre tive o desejo de viver, de superar o câncer. E cá estou eu, em fase final de recuperação”, enaltece Arita.

As três guerreiras afirmam que não se pode pensar no câncer como sinônimo de morte, que sempre deve haver a vontade de viver. “Quando passamos pela situação de ter câncer, descobrimos que temos uma força tremenda. Todos os medos bobos vão embora e você passa a ver a vida de uma maneira muito diferente. Gratidão é a palavra que define tudo a partir daí. Gratidão por existirem meios para que consigamos nos curar”, ressaltam.

É uma unanimidade, também, entre elas, que o apoio das voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer ajuda e muito. As visitas das voluntárias trazem alegria e esperança. “O tempo é uma preciosidade. As voluntárias da Rede são pessoas que doam o tempo e trazem a esperança a quem precisa. Quando elas vêm, são momentos de muita luz”, complementa Rosineide.

Arita acrescenta, ainda, que, além de uma luta, o câncer pode ser um aprendizado. “Conheci pessoas que me ensinaram muitas lições. Que estavam numa situação pior que a minha, mas esbanjavam felicidade e vontade de viver. Hoje dou mais valor à vida e às pessoas que estão ao meu lado”, afirma.

(Arte: André Moscatelli)

 



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Créditos: Isadora Brehmer/JP
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