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“Governar exige coragem para decisões difíceis”

Confira a última matéria da série de entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado de Santa Catarina

b09876a80fb2c527bc78b202d859a8cb.png Foto: Divulgação

Jornal de Pomerode - Se possível, gostaríamos de saber da sua história e do seu envolvimento com a política. 
Gelson Merisio -
Acredito que essa história começou no ensino médio, quando fui eleito presidente do grêmio estudantil. Dali para a primeira eleição foi um pulo: aos 22 anos, fui o vereador mais votado de Xanxerê e, no mesmo mandato, me tornei presidente da Câmara Municipal.

Como minha formação é em Administração de Empresas, pela Unoesc, acabei direcionando minhas atividades, também, para o meio empresarial. Fui presidente da Associação Comercial e Industrial de Xanxerê (ACIX), da Federação das Associações Comerciais e Industriais de Santa Catarina (Facisc), do Sebrae/SC e vice-presidente da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB). 

Em 2005, fui convocado como suplente na Alesc, após duas tentativas de eleição. Escolhido líder do meu partido, me candidatei pela terceira vez ao cargo de deputado estadual e fui eleito. Em 2010, me tornei presidente da Assembleia Legislativa por unanimidade de votos, feito que repetiu em mais duas gestões (2011/12 e 2015/16).

Em 2014, fui o deputado estadual mais votado da história de Santa Catarina, com 119.280 votos. 

JP - Cite cinco de suas principais propostas. 
GM -
Dar oportunidade aos policiais da reserva e aumentar, rapidamente, o efetivo: Pretendemos aumentar o efetivo de forma rápida, chamando policiais da reserva, que queiram e se sintam em condições, para voltar à atividade, de maneira segura, com equipamento apropriado e recebendo por isso. A imensa maioria das ocorrências é de pequena gravidade, e só a presença policial, por si, já é um inibidor.

Educação - Outra proposta é transformar a forma de ensino; resgatar a autoestima do professor e o interesse do aluno, também por meio de tecnologia, mas integrando o ensino médio ao ensino profissionalizante, em parceria com sistemas que já deram certo, como os da Fiesc. Aumentar, substancialmente, o ensino integral, que hoje acontece de forma plena, em 150 escolas e está em vias de implantação em 600. O atual governo no MDB está na contramão disso. Cortaram matrículas nos Cedup’s, descontinuaram o programa de reforço no contraturno e planejam diminuir o integral em 11 escolas. Temos que reverter esse processo. Ainda na educação, pretendemos equiparar os salários iniciais dos professores aos dos policiais.

Saúde - Na saúde, uma das ideias é fortalecer e vocacionar hospitais menores, reestruturando a rede de forma que as pessoas consigam acesso ao sistema. Depois que são atendidas, as pessoas avaliam bem o serviço. O problema está na entrada. Também com tecnologia e integração de sistemas, é possível ampliar o acesso perto dos municípios, diminuindo a romaria para os grandes centros. Organizando a rede, é possível colocar em dia os atendimentos.

Enxugar a máquina - Para que tudo isso possa sair do discurso, vamos fazer um enxugamento radical das estruturas administrativas, cortando 1200 dos 1400 cargos comissionados, extinguindo todas as ADR’s e concentrando o governo em apenas 10 secretarias centrais, no lugar das 15 atuais. 

Mais mulheres no centro das decisões - A gestão no Poder Executivo será menor, mais moderna e mais qualificada, e com, pelo menos, 50% dos cargos de chefia ocupados por mulheres. Na Alesc, conseguimos chegar a 48% dos cargos ocupados por mulheres e queremos levar e ampliar isso para o Governo do Estado. Além de corrigir uma falha histórica, acredito que temos, nas mulheres, a reserva de lideranças que nosso Estado tanto precisa para dar um novo salto de desenvolvimento.

JP - Por que decidiu se filiar ao PSD? 
GM -
Nós fundamos o PSD em Santa Catarina dentro do espírito de oxigenar o processo político com novas ideias, incentivando a participação de jovens e mulheres, porque estamos no final de um ciclo que precisa de um rompimento. Buscamos convicções formadas em favor de um Estado enxuto, que busque inovação e aplique tecnologia no seu dia a dia. Vivemos uma troca de gerações, que permite o surgimento de novas lideranças. Apesar de ser um problema, há também uma riqueza a partir da oportunidade de agregarmos sangue novo na disputa ao governo do Estado, por exemplo, e experiência na disputa ao Senado, com as candidaturas dos ex-governador Raimundo Colombo (PSD) e Esperidião Amin (PP). Algumas legendas são marcadas por dogmas intransponíveis, como é o caso do PMDB, com a manutenção das secretarias regionais. O tempo mostrou que foi um decisão acertada e o PSD teve boa aceitação por parte da sociedade. Hoje, somos a segunda maior legenda no número de prefeituras e a terceira em número de vereadores - em número de vereadores, nosso aliado PP é a segunda maior legenda e a terceira em prefeituras. A maior prefeitura administrada por um pessedista é justamente comandada por uma mulher, a prefeita Adeliana Dal Pont (PSD), de São José.

JP - Você já exerceu outros cargos políticos. Acredita que isso pode contribuir com seu mandato? Como? 
GM -
Não há dúvida. Governar requer harmonia com os poderes, em especial, com o Parlamento. Minha escolha para a presidência se deu por unanimidade de votos e foi o que permitiu que aprovássemos projetos como a PEC da Saúde, de minha autoria, que fez de SC o primeiro estado a ter ampliado o percentual obrigatório de repasses para a área da saúde, o que vai significar mais de R$ 1 bi a mais até o ano que vem e R$ 8 bi a mais em 10 anos. Foi também o relacionamento com os deputados de todos os partidos que nos possibilitou cortar benefícios exagerados que vigiam há décadas na Assembleia, cortes que resultaram na devolução de mais de R$ 300 milhões para o Executivo. Algumas medidas complexas, que romperam paradigmas, também foram possíveis por conta da harmonia e experiência junto ao colegiado da Casa. Implantamos o portal da transparência e o ponto biométrico, cortamos supersalários, diminuímos pela metade o número de cargos efetivos. Também pesa o relacionamento anterior com setores produtivos, por conta das experiências na Facisc e no Sebrae.

JP - Caso eleito, qual seria sua prioridade para Santa Catarina?
GM -
Acredito que é o momento de focarmos em Segurança Pública como prioridade. Saúde e Educação nunca deixarão de ser. Mas se não agirmos agora em relação à segurança, corremos o risco real de perder o controle e acabar iguais ao Rio Grande do Sul e ao Rio de Janeiro, onde as pessoas já não têm liberdade de ir e vir. Para não perdermos essa guerra, precisamos entrar em ação desde já. Reforçar o efetivo, investir em tecnologia, fechar fronteiras e melhorar a gestão dos presídios são os primeiros passos para declarar guerra à criminalidade. Em paralelo, precisamos de ação conjunta entre as polícias e continuidade de valorização das carreiras. Com inteligência aplicada à segurança pública, regime diferenciado nos presídios - e esse é um capítulo que merece atenção específica - mais presença policial e fechamento de fronteiras, estaremos um passo à frente da criminalidade.

JP - Na sua opinião, quais serão os principais desafios para um futuro governador do estado?
GM -
Cada vez mais os gestores precisarão fazer mais com menos. O modelo de governar atingiu seu limite, inclusive financeiro. Por isso, o maior desafio para quem assumir a missão de ser o governador de Santa Catarina será coragem para quebrar paradigmas e determinação para colocar em prática medidas difíceis, mas necessárias. Um passo importante nessa direção é formar equipes de especialistas, equipes enxutas, mas com determinação para fazer acontecer. E aqui reforço o papel das mulheres, que são extremamente comprometidas.

Governar requer duas premissas principais: regular oportunidades e ser o apoio para os necessitados, aqueles que dependem do serviço público. Por isso, outra missão é levar o desenvolvimento para todas as regiões, inclusive, colocando em prática uma política fiscal diferenciada, com tratamento tributário diferenciado para regiões deprimidas economicamente. Desenvolvimento significa geração de emprego e renda. Indiretamente, isso interfere, também, na segurança pública, pois onde há trabalho e acesso aos serviços públicos, a marginalidade não se cria. Já somos um dos melhores estados do Brasil. Mas precisamos resolver a questão da pobreza extrema. Apesar dos nossos primeiros lugares em indicadores econômicos e sociais, ainda temos cerca de 200 mil pessoas na miséria. Não podemos perder esse foco. Identificar essa população e trazê-la para a cidadania. Aí sim, seremos o melhor estado do país.

 

Gelson Merisio é o último governável entrevistado, desta forma, fechando a Série das Eleiçõs de 2018. A penúltima entrevista, com outro candidato, você pode conferir aqui

 



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