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Educar para preservar vidas

Grupo de motoboys de Pomerode, procura incentivar a educação no trânsito para evitar acidentes fatais, através de um aplicativo de mensagens.

9ee09f99976a29362bc48fabd59bb2aa.jpg Foto: Raphael Carrasco/JP

Usar a tecnologia para educar. É isso que um conjunto de motoboys de Pomerode faz, através de um grupo de WhatsApp, aplicativo de mensagens instantâneas. Criado em 2015 por Charles Perini, o grupo conta com 32 membros, sendo que todos usam suas motos como instrumento de trabalho. Atualmente, segundo dados do Detran de Pomerode, 3.840 motos estão emplacadas na cidade. 

Segundo o fundador do grupo, Charles Perini, ainda há uma visão negativa do motociclista, e por isso, decidiu usar o WhatsApp como meio de comunicação entre os motoboys, para incentivar a educação no trânsito.

“Nosso grupo zela pela segurança, em primeiro lugar. Tentamos sempre passar para os motoboys um pouco de disciplina, incentivar o respeito no trânsito, além de prestar todo tipo de auxílio, quando um de nossos parceiros precisar de alguma ajuda. Queremos tirar essa imagem negativa que os motoristas tem dos motoqueiros, por isso, sempre buscamos evitar todo tipo de acidente fatal, afinal, em caso de acidente, há mais risco de gravidade em relação a um carro, pois a moto, possui menos segurança”, explica Perini.

Ainda segundo o fundador do grupo, o grupo possui regras em relação a circulação de informações desnecessárias, como comunicar se há a presença de blitze nas cidades.

“É importante destacar, que nós temos regras. Se alguém do grupo informar que tem blitze na cidade, a medida que tomamos é excluir essa pessoa do grupo. De forma alguma, queremos que esse tipo de informação que é contra a segurança, se espalhe. Lembro, ainda, que sempre procuramos conhecer a fundo cada membro do grupo, meio que uma espécie de aprovação para fazer parte do conjunto”, destaca Perini.

Sequelas para a vida toda

Nem sempre acidentes podem ser evitados. Foi o que aconteceu com Maico Antonio de Mello, que ainda se reabilita de um acidente sofrido em 2016, após tentar realizar uma ultrapassagem em faixa contínua, na BR-470, já no município de Gaspar. Na hora da tentativa de ultrapassagem, o veículo que Maico tentou realizar o ato, acelerou para dificultar a passagem do motoqueiro. O motociclista ia passar o final de semana com amigos em Barra Velha, litoral norte de Santa Catarina. Ele se chocou com uma caminhonete que vinha no sentido contrário. O acidente resultou em sequelas que ficarão para a vida toda. Mello teve seu braço totalmente amputado e teve fraturas nas costelas e no pulmão. Ele chegou a ficar em coma por três dias e só ficou sabendo que teve seu braço amputado quando “acordou”.

Hoje, ele ainda sofre com as consequências do acidente. Segundo o motociclista, dores são sentidas todos os dias, sendo necessários remédios para diminuir o incômodo. Ele admite ter sido imprudente no dia do ocorrido e pede para os motociclistas manterem sempre a atenção na hora de dirigir.

“Eu errei na hora de ultrapassar, admito. Mas hoje, quero servir de exemplo para que outras pessoas não sofram dessa maneira. Por isso, peço para que os motoqueiros prestem a atenção no trânsito, andem sempre na defensiva e evitem fazer loucuras, pois elas podem custar muito caro no futuro. No meu caso, custou meu braço, que foi amputado, mas em muitos casos, custa uma vida”, enumera Mello.

Hoje, ele está em reabilitação e usa como meio de transporte o ônibus, já que possui passe livre. Ele também utiliza a bicicleta para distâncias menores, mas ainda prefere o transporte coletivo. 

“Tudo é uma questão de adaptação. Só tenho a agradecer por estar vivo. No começo, foi bem difícil, mas hoje já estou acostumado. Claro, que algumas atividades que eu realizava antes, hoje já não consigo mais, como até mesmo andar de moto, que sempre foi uma das minhas coisas favoritas. Porém, para me locomover na cidade, utilizo transporte coletivo e, algumas vezes, a bicicleta, para distâncias menores”, explica.

Além dos conselhos, a Gerência de Trânsito de Pomerode (Getran), recomenda para todos os motociclistas usarem sempre o capacete de segurança, com óculos ou viseira protetora. Além disso, é proibido transitar com faróis apagados e realizar manobras perigosas, como “empinar a moto”. O Getran também pede para que cada motociclista tenha prudência e consciência na hora de dirigir uma moto, afinal, em caso de acidentes, a chance de danos ao motoqueiro é maior.



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Créditos: Raphael Carrasco/JP Jornal de Pomerode Divulgação
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