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Desafio posto à prova

A Meia Maratona de Pomerode proporciona, além da vitória e da superação de limites, histórias que ficarão marcadas, para sempre, na memória de seus personagens. Uma destas passagens envolve o professor Rafael Jandre, e uma de suas alunas, Dalci Valentin.

f3b9ccd8dfb67c412ed8a40c455efd4b.JPG Foto: Bob Gonçalves / Jornal de Pomerode

A Meia Maratona de Pomerode proporciona, além da vitória e da superação de limites, histórias que ficarão marcadas, para sempre, na memória de seus personagens. Uma destas passagens envolve o professor de Educação Física, Rafael Jandre, e uma de suas alunas, Dalci Valentin. Só que ela não é uma corredora qualquer, afinal, do alto dos seus 68 anos bem vividos, a professora de música viu na prova um desafio, que foi superado com grande satisfação.

Segundo Jandre, Dalci o procurou, em 2017, para ingressar na academia, após a realização de uma cirurgia no ombro. “Por se tratar de uma professora de música, que utiliza os membros superiores em seu trabalho, senti que seria um desafio à parte e uma responsabilidade maior. Ela sempre foi uma mulher muito ativa. Durante o trabalho físico, na academia, sempre se mostrou disposta. E a prática da corrida já trazia consigo há muitos anos, porém até então, não havia mais praticado ou treinado”, comenta.

Quando as inscrições para a Meia Maratona de Pomerode deste ano abriram, o professor resolveu abrir um grupo de corrida para participar, incluindo-a. “No começo, ela ficou receosa, porém, como disse que a acompanharia no trajeto, ela aceitou”. E esta foi, justamente, uma das dificuldades que eles teriam que trabalhar durante o trajeto. “Um dos meus receios era com relação ao piso úmido, pela chuva que havia caído durante a madrugada, o que poderia ocasionar escorregões ou quedas. Eu sempre brinco com ele que eu sou ‘idosinha’ que se eu cair, eu quebro”, conta Dalci, aos risos.

No entanto, a corrida de 6K foi totalmente tranquila, sem nenhum tipo de percalço. “Ela correu praticamente todo o percurso, com uma passada firme e constante. Fiquei muito feliz e realizado como profissional, principalmente pela recuperação total dos movimentos e força do ombro”, enfatiza Jandre. Já a professora diz que a tolerância dele foi muito importante durante esse processo. “Mesmo nos momentos em que eu não pude estar presente nos treinos, ele sempre me incentivou. E na prova, correu o tempo todo comigo, pois eu estava com bastante receio, devido à instabilidade dos meus treinos nos últimos meses. Todavia, ele me tranquilizou, dizendo que eu não precisava ter medo e que correria ao meu lado, me orientando, também, com relação à respiração. O objetivo era correr sem paradas e conseguimos”, completa Dalci, que finalizou o percurso em 45’59”, alcançando o terceiro lugar em sua categoria.

Um fato antes da corrida, porém chamou a atenção do professor. “Naquela semana, ela estava sem treinar, devido a alguns problemas pessoais. No domingo, às 6h da manhã, ela me mandou uma mensagem, relatando que estava com certo receio, pois estava chovendo e estava ‘saindo’ de uma gripe. Falei para ela que estaria ali, ao seu lado. Fiz o aquecimento com o meu grupo e, quando alinhamos no grid, senti alguém tocando o meu ombro. Era ela, dizendo: ‘eu vim’. Naquele momento, um misto de alegria e emoção tomou conta de mim. A Dalci é uma mulher sensacional, que está além da curva da média. É difícil encontrar mulheres que, na sua idade, fazem o que ela faz”, ressalta.

A própria professora comenta que os desafios fazem parte da sua vida. “Faço tratamento para osteoporose há alguns anos, e a maioria dos médicos sempre disse que eu não deveria mais realizar exercícios físicos de impacto. Mas como eu sempre gostei e fiz academia, outros médicos me incentivaram a, com cuidado e atenção, manter as corridas na minha rotina”.

Tanto que novas provas vêm por aí. “Com certeza, quero participar de novas corridas, não somente de seis quilômetros, mas até de 10K. Acredito que eu tenha uma idade já avançada para este tipo de exercício, mas muitos que estão na minha faixa etária não costumam se desafiar, mantendo-se na ‘zona de conforto’. Quero me manter realizando exercícios e participar de eventos estaduais e até nacionais. Acho que isso seria uma coisa bacana, equilibrar o lazer com o prazer das corridas, o que traz um resultado de saúde indiscutível”, conclui.



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