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“Defendemos um projeto socialista para Santa Catarina e o Brasil”

Confira mais um texto da série de entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado de Santa Catarina

6e026951a48f9223c485a60a9e4f7bbe.jpg Foto: Romerito Pontes

Jornal de Pomerode - Se possível, gostaríamos de saber da sua história e do seu envolvimento com a política.
Ingrid Assis -
Olá, leitoras e leitores! Sou Ingrid Assis, candidata ao governo do estado de Santa Catarina pelo PSTU. Tenho como vice, o Professor Ederson, professor da Rede Pública, e militante do movimento negro em Criciúma.

Sou professora da rede pública. Sou mulher indígena. Sou uma lutadora socialista.

Atuo nos movimentos em defesa da Educação Pública, das causas indígenas, dos negros e nas lutas mais gerais da classe trabalhadora contra a retirada de direitos, a exemplo das lutas contra as reformas da previdência e trabalhista.

JP - Cite cinco propostas presentes em seu plano de governo.
IA -
Nas eleições, sempre existe uma chuva de promessas. Mas, depois de eleitos, os políticos e partidos tradicionais nunca cumprem o que prometem. Não cumprem o que prometem porque mentem e enganam os trabalhadores. Afinal, ou se governa para os ricos e poderosos, ou para os trabalhadores e pobres. Nosso partido tem lado, e é dos trabalhadores e do povo pobre!

As cinco propostas fundamentais de nossa candidatura são:
1ª - Suspender o pagamento das dívidas públicas aos banqueiros e realizar uma auditoria;
2ª - Acabar com as desonerações fiscais aos grandes empresários e cobrar os grandes devedores;
3ª - Romper com a lei de responsabilidade fiscal e aumentar, substancialmente, os investimentos nas áreas sociais, a exemplo da saúde e educação, e na geração de emprego;
4ª - Plano de obras públicas controlado e fiscalizado pela classe trabalhadora e o povo pobre, através de Conselhos Populares;
5ª - Um governo apoiado em Conselhos Populares com representantes sem privilégios e comandados revogáveis eleitos nos bairros populares e nas grandes concentrações de trabalhadores.

JP - Por que decidiu se filiar ao PSTU, partido de Vera Lúcia?
IA -
Porque o PSTU é o único partido, em nosso país, realmente socialista e que se dedica a organizar os trabalhadores para a revolução e, também, construir um partido internacional, pois a revolução não pode acontecer apenas em um só país.

Por isso, não fazemos alianças com a burguesia e nem fazemos parte do “vale tudo eleitoral”. O PSTU não oferece privilégios, nem qualquer benefício individual aos seus militantes. O que o PSTU oferece aos seus militantes é algo bem maior: a possibilidade de mudar o mundo e construir uma sociedade socialista livre de toda exploração e opressão.

Somos o partido que reúne, organiza e educa homens, mulheres, negros, indígenas e LGBT’s da classe trabalhadora para a revolução.

JP - Você já exerceu os cargos de professora e dirigente sindical do Sinte São José. Acredita que isso pode contribuir com seu mandato? Como?
IA -
A burguesia, seus políticos e ideólogos sempre tentam nos convencer de que os trabalhadores não podem governar. Mas isso não é verdade, por dois motivos: 1) porque quem produz a riqueza do país somos nós; 2) e por isso somos mais capazes de administrar essa riqueza, sem precisar explorar e nem roubar de ninguém.

Por exemplo, nós, professores, recebemos péssimos salários, damos aulas para turmas superlotadas, sem recursos e em escolas completamente precárias. Ora, se conseguimos administrar uma escola sem recursos, por que não somos capazes de administrar os recursos da Educação no estado de SC?

Um operário da construção civil que recebe um salário mínimo tem que sobreviver por um mês com essa miséria: pagando aluguel, energia, água, comida, transporte etc. Enquanto um político recebe uma fortuna de salário, e todo tipo de benefício para atacar os trabalhadores, roubar e superfaturar obras.

Agora, me responda sinceramente: quem é mais capaz de administrar a riqueza e os recursos desse país? Os trabalhadores ou o empresário? É evidente que são os trabalhadores.

Ser dirigente sindical me mostrou, também, que os trabalhadores são muito mais fortes quando estão organizados e, por isso, os patrões e os políticos sempre tentam nos dividir.

Ser dirigente sindical, me mostrou, também, que as direções sindicais podem cumprir um papel nocivo quando decidem vender os direitos dos trabalhadores em apoio aos governos de plantão, é o caso da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT e que hoje está mais preocupada em tirar o Lula da cadeia do que organizar os trabalhadores pra luta.

Contra isso, construímos a CSP-Conlutas, uma Central Sindical e Popular sem rabo preso com empresários e governos.

JP - Caso eleita, qual seria sua prioridade para Santa Catarina?
IA -
Seria combater as desigualdades e injustiças sociais que, assim como no Brasil, em Santa Catarina são gritantes. Defendo um plano de obras públicas para absorver a mão de obra desempregada, com recursos vindos da suspensão do pagamento da dívida pública aos banqueiros. Acabarei com as desonerações fiscais aos grandes empresários e cobrarei as dívidas dos grandes sonegadores e devedores do estado, como a Teka e o grupo Angeloni, que devem mais de 200 milhões de reais. Defendo uma ampla mobilização em defesa da redução da jornada de trabalho sem redução de salários para garantir empregos. Precisamos enfrentar os grandes proprietários de terra e os especuladores e garantir a homologação e a demarcação das terras indígenas, a titularidade das terras quilombolas e uma ampla e radical reforma urbana e agrária sob controle dos trabalhadores para garantir moradia, terra e vida digna para quem trabalha.

JP - Na sua opinião, quais serão os principais desafios para um futuro governador do estado?
IA
- Será enfrentar os privilégios dos grandes empresários e banqueiros, assim como, dos políticos, e outros privilegiados, como os juízes. Somente uma rebelião dos “de baixo” contra os “de cima” pode garantir emprego, salário e vida digna. As eleições não mudam a vida, pois a maioria vota mas quem decide é um parlamento e um governo cheio de corruptos. Sempre se governou para manter os privilégios dos ricos e dos poderosos em nosso estado e em nosso país. 
Defendemos um projeto socialista para Santa Catarina e o Brasil. Nossa proposta não se confunde com a experiência de regimes que usaram e mancharam o nome do Socialismo, a exemplo do chavismo na Venezuela, dos irmãos Castro em Cuba ou de Daniel Ortega na Nicarágua, que mantiveram o privilégio de poucos e hoje são países capitalistas. Defendemos um governo socialista dos trabalhadores formado por Conselhos Populares com representantes eleitos livremente em bairros populares e em grandes concentrações de trabalhadores. Representantes esses com mandatos revogáveis e sem privilégios.

 

Ingrid Assis é a quarta governável entrevistada. A terceira edição, com outro candidato, você pode conferir aqui



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