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Contrato de sobreaviso médico cardiológico é encerrado no HMRT

Desde o dia 1º de junho, o Hospital e Maternidade Rio do Testo não conta mais com sobreaviso médico especializado em cardiologia em seu Pronto Socorro. A decisão, segundo Secretaria de Saúde, foi baseada em informações repassadas pela secretaria estadual

13a551357bc4bba892bb6045bc138a29.jpg Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode

No mês de maio, mais de 100 pacientes passaram pelo Pronto Socorro do Hospital e Maternidade Rio do Testo para avaliações cardiológicas realizadas pelo médico especialista. No entanto, desde o dia 1º de junho, este número é igual a zero. Isso porque o contrato que previa a atuação de sobreaviso do médico cardiologista foi encerrado pela de Secretaria de Saúde de Pomerode junto à unidade de saúde.

Desde a data, os pacientes que chegam ao Pronto Socorro do HMRT e, após a realização do eletrocardiograma (que aponta um infarto, por exemplo), são encaminhados à cidade referência, no Hospital Santa Isabel, em caso de urgência/emergência, ou retornam aos seus lares após medicação do médico de plantão.

A situação, porém, antes do término do contrato, era diferente. Os pacientes que chegavam à unidade de saúde em caso de urgência e emergência, faziam o exame no pronto atendimento, sendo este encaminhado ao médico cardiologista de sobreaviso que, então, recomendava pela medicação, internação ou transferência do paciente à unidade de referência, bem como o laudo analisado pelo especialista.

 

Eletrocardiograma efetuado no Pronto-Socorro do Hospital era analisado por médico de sobreaviso. (Foto: Divulgação)

Sendo assim, atualmente, os exames não contam com laudo de especialista e, sim, com a avaliação do médico de plantão.

Após conhecimento da situação, a equipe do Jornal de Pomerode procurou o Hospital e Maternidade Rio do Testo, bem como a Secretaria de Saúde de Pomerode para esclarecimentos.

O problema

O Pronto Socorro do Hospital e Maternidade Rio do Testo atende, em 24 horas, uma média de 150 pacientes. Destes, cerca de 10% estão relacionados a problemas cardíacos.

“É importante frisar que Pomerode conta com uma grande demanda de pacientes cardíacos, além de uma população idosa e que necessita de acompanhamento médico especializado”, ressalta a coordenação hospitalar.

E, nestes casos, o exame realizado, denominado eletrocardiograma, era enviado ao médico cardiologista de sobreaviso que, então, avaliava e orientava a equipe da unidade hospitalar sobre os procedimentos a serem realizados. A avaliação, mesmo que a distância, era realizada 24h por dia.

É importante frisar que Pomerode conta com uma grande demanda de pacientes cardíacos, além de uma população idosa e que necessita de acompanhamento médico especializado

Atualmente, o exame segue sendo realizado pelo médico plantonista, mas o desfecho é outro. “Agora, o exame é feito e, caso o paciente seja considerado grave, como um infarto, por exemplo, o paciente será encaminhado ao hospital referência, em Blumenau. Caso contrário, permanece em Pomerode onde é medicado e, se estabilizado, retorna para casa. No entanto, a dificuldade está relacionada a pacientes que não podem ter alta e tampouco são considerados graves, já que não há mais um médico responsável, como há em outras especialidades”, explica.

E a situação já foi registrada. “O Hospital Santa Isabel é referência na região e, por conta disso, também não possui leitos para todos os pacientes e recebe apenas os considerados graves. Já houve, desde o início do mês, casos em que o paciente foi monitorado em nosso pronto socorro, pois não tinha como ser internado. É importante ressaltar que a responsabilidade pela internação é muito grande e um médico não cardiologista, não assumirá o risco de atender um paciente que não é de sua área, até por, talvez, desconhecimento específico em cardiologia”, reforça.

As avaliações emergenciais também contavam com o fator agilidade. “Com um médico cardiologista de sobreaviso, o paciente em Pomerode era assistido 24h. Hoje, essa realidade é outra. Apenas a avaliação inicial é feita no pronto atendimento, já que a clínica é geral no setor”, comenta.

Além disso, a unidade de saúde também revela que outros procedimentos ficaram comprometidos. “Exames como endoscopia e pré-operatório cardiológico, que também eram realizados pelo médico, inclusive em internados de outras especialidades. Entendemos que a situação é um retrocesso à saúde pomerodense, uma vez que a especialidade era atendida em nossa cidade e, agora, precisamos de outros municípios para tal”, finaliza.

Com um médico cardiologista de sobreaviso, o paciente em Pomerode era assistido 24h. Hoje, essa realidade é outra. Apenas a avaliação inicial é feita no pronto atendimento, já que a clínica é geral no setor

O convênio

O sobreaviso médico especializado em cardiologia era realizado pelo Dr. Eckart Liesenberg. O convênio, com vigência anual, seria encerrado no dia 31 de dezembro de 2018, sendo prorrogado até final de abril.

A atuação do sobreaviso cardiológico remunerado acontece desde 01 de maio de 2009, quando da administração do então prefeito Paulo Pizzolatti. No repasse mensal destinado ao sobreaviso de cardiologia também incluía avaliações cardiológicas e alguns exames cardiológicos como eletrocardiograma, além da endoscopia digestiva alta de urgência/emergência. 

No contrato consta que a avaliação médica acontece de forma on-line, não presencial, 24h por dia, sendo o médico o responsável pelos laudos cardiológicos provenientes do Pronto Socorro do Hospital e Maternidade Rio do Testo.

A média de exames, baseada nos últimas três meses, é de 106 avaliações cardiológicas no Pronto Socorro.

Com o término do contrato em abril deste ano e a elaboração de um novo contrato, com vigência a partir do mês de maio e sem o sobreaviso em cardiologia, o HMRT acabou custeando o serviço no mês de maio.

A direção do Hospital de Pomerode também informou que o sobreaviso médico era custeado pela Secretaria de Saúde, enquanto as custas relacionadas aos exames, no valor de pouco mais de R$ 5,00 por eletrocardiograma, eram repassadas pela Secretaria de Saúde de Santa Catarina.

Contrato encerrado em abril de 2018, que contempla o sobreaviso em cardiologia e endoscopia, de forma online

Extra-contratual

O sobreaviso médico no Pronto Socorro do Hospital e Maternidade Rio do Testo acontece em diversas especialidades, sendo custeadas através de convênio firmado junto à Secretaria de Saúde.

Todavia, de forma extra-contratual, a atuação do médico cardiologista também incluía a realização de exames médicos e internação pacientes provenientes do Pronto Socorro da unidade hospitalar.

“Além disso, o profissional à frente da cardiologia, assumiu o compromisso de prestar alguns exames cardiológicos para pacientes encaminhado via Secretaria de Saúde de Pomerode, pelo fato de que seu sobreaviso não ser presencial. Esse acordo foi feito através de uma negociação da época e foi cumprida até o ano de 2016, quando ocorreu a implantação do Sistema de Regulação SISREG que passou a regular exames eletivos”, explica a unidade de saúde.

Além disso, o profissional à frente da cardiologia, assumiu o compromisso de prestar alguns exames cardiológicos para pacientes encaminhado via Secretaria de Saúde de Pomerode, pelo fato de que seu sobreaviso não ser presencial. 

Quanto as internações, a média dos últimos três meses aponta que 22 pacientes, oriundos da urgência/emergência, eram assistidos pelo médico cardiologista após internação.

Todavia, as internações cardiológicas com acompanhamento especializado, desde o dia 1º de junho, não são mais realizadas. Casos considerados graves, são encaminhados a Blumenau e, os demais, acompanhados pelos médicos plantonistas enquanto o paciente encontra-se na unidade de saúde no regime de emergência/urgência.

Exames de pacientes internados, nas mais diferentes áreas, que necessitavam de exames cardiológicos, também eram realizados pelo médico.

O parecer da Secretaria de Saúde

Em contato com o Secretário de Saúde de Pomerode, Dr. Marcos Bönmann, o novo contrato foi discutido junto a unidade de saúde e avaliado conforme dados repassados pela instituição à Secretaria de Saúde estadual.

“O estado recebe um relatório do Hospital e Maternidade Rio do Testo, no qual constam os exames e procedimentos realizados pelo mesmo. Neste, as estatísticas estaduais apontavam baixos índices de processos realizados pelo Pronto Atendimento, não justificando o pagamento de um médico especialista para avaliação de eletrocardiogramas, tendo em vista que temos uma cidade referência para pacientes cardíacos”, explica o Secretário.

Bönmann também reforça que outras cidades não possuem a especialidade em sobreaviso. “A exemplo de outras cidades, como Timbó, o próprio médico plantonista consegue realizar a análise básica do exame e, então, dar os devidos encaminhamentos aos pacientes”, completa.

O Secretário também ressalta o trabalho a ser realizado pelo médico de sobreaviso. “O sobreaviso consiste no atendimento de urgência e emergência. Em caso de infarto, o paciente é encaminhado a Blumenau e, caso contrário, é medicado aqui e, se persistirem as alterações, um novo encaminhamento à unidade hospitalar blumenauense será solicitado e o paciente transferido, se necessário. Em casos não urgentes, o paciente pode procurar as unidades de saúde da cidade e agendar uma consulta e exames, pois é considerado um paciente eletivo e não de urgência”, comenta.

O sobreaviso consiste no atendimento de urgência e emergência. Em caso de infarto, o paciente é encaminhado a Blumenau e, caso contrário, é medicado aqui e, se persistirem as alterações, um novo encaminhamento à unidade hospitalar blumenauense será solicitado e o paciente transferido, se necessário. 

Referente a internações e realização de exames, o secretário informa que os atendimentos são parte clínica e não estão inseridos no convênio. “Não é de meu conhecimento que outros exames, internações ou atendimentos sejam realizados pelo médico de sobreaviso, uma vez que isso não está descrito no contrato. Além de que, o sobreaviso, como já mencionado, é relativo a urgência e emergência. Esses dados não constam junto a Secretaria de Saúde estadual e nem no contrato. O acordo pode ter sido verbal, mas não está documentado”, reforça.

O secretário comenta ainda o incentivo ao serviço de urgência e emergência. “No contrato há um valor de R$ 14 mil destinados a exames clínicos e laboratoriais no pronto socorro e, desde valor, o sobreaviso médico cardiológico pode ser retirado, neste momento. Volto a reforçar que a quantidade de exames no relatório estadual era exímia e avaliamos a gestão do dinheiro público”.

Não é de meu conhecimento que outros exames, internações ou atendimentos sejam realizados pelo médico de sobreaviso, uma vez que isso não está descrito no contrato. 

A situação pode voltar a ser analisada dentro de 90 dias. “Em três meses, os dados oficiais serão novamente analisados e, se for necessária uma alteração contratual, a mesma será discutida através de uma comissão municipal. Legalmente, a alteração também não pode ser efetuada em um prazo menor”, finaliza.



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