Jornal de Pomerode

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Conquistas que exigiram muito empenho e dedicação

Imigrante africano está perto de concluir o curso de química, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e relata as dificuldades que sofreu no começo, no Brasil, para se estabelecer em nosso país. Sedami Agassin é natural de Benin, na África

3938baec11eb690f78557ac65082ad8d.jpg Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode

Atravessar o continente em busca de oportunidades para agregar o seu conhecimento. Esse sempre foi o sonho de Sedami Tozoun Romain Agassin, 30 anos, natural do país africano Benim, que, hoje, está finalizando o curso de química na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Blumenau. A afinidade com o nosso país veio historicamente, pois grande parte dos escravos que foram levados até o Brasil, em 1500, voltava para a África, com filhos de descendência afro-brasileira e, em Benim, muitas famílias possuem sobrenomes característicos de nosso território, como, por exemplo, Silva, dos Santos e outros. Apaixonado por estudar, Agassin resolveu fazer uma prova para concorrer a uma bolsa em alguma universidade brasileira.

Na oportunidade, havia três opções: medicina, farmácia e ciências políticas. Após uma espera de quatro meses, veio o resultado e Agassin conseguiu uma vaga na Unesp, em Franca, São Paulo. Antes de começar o curso, era necessário, para entrar na Faculdade, um diploma concluído de um concentrado de Língua Portuguesa, com duração de um ano. Como sua família por parte de pai e mãe não tinham condições de bancar a viagem, teve que contar com ajuda de seu tio, que deu incentivo financeiro ao jovem, que na época, tinha 23 anos e com isso, veio até o país para fazer as aulas de português, idioma que não tinha domínio nenhum, naquela ocasião.

Com a ajuda de um programa da embaixada brasileira, na África, ele e mais 12 pessoas, vieram ao Brasil em busca de novos horizontes. Ao chegarem, tiveram como cidade hospedeira o Rio de Janeiro. Lá, tiveram que ficar em uma casa que possuía apenas três quartos, para abrigar 13 pessoas. Foi aí, então, que Agassin resolveu se matricular em Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para aprender o português. 

“No primeiro dia, eu já estava muito perdido. As pessoas falavam muito rápido e a gente não entendia nada o que estavam conversando. Isso foi o mais difícil, poder se comunicar com as outras pessoas, demorando cerca de um ano e meio para dominar um pouco o idioma”, relata.

Após o intensivo, chegou a “hora da verdade”. O jovem tinha que passar em uma prova para conquistar a vaga na universidade. Porém, o estudante não obteve sucesso e, como não teve êxito no teste, perderia a bolsa no país. Após conversa com sua mãe, decidiu se manter no Brasil. Alugou uma quitinet, no valor de R$ 500,00, e começou a trabalhar em um restaurante sírio, cujo o salário era R$ 622,00, com uma jornada de trabalho de sete dias por semana, sem folga e carga horária superior a de 10 horas. Depois de um mês e meio, foi demitido e começou a procurar, novamente, um emprego, para poder se sustentar no país. Após buscas por oportunidades, o rapaz encontrou um emprego em um camelódromo na Zona Sul carioca e começou a atuar como entregador de gelo para bares, restaurantes e outros estabelecimentos. Ficou por lá por cerca de dois meses e decidiu voltar a estudar. 

Nesse meio tempo, Agassin conciliava estudos com trabalho. Como as vagas na UFRJ eram muito concorridas, resolveu tentar prestar vestibular para universidades de outros estados. Procurando na internet, encontrou o curso de química da UFSC, em Blumenau, que estava abrindo sua primeira turma. Comprou uma passagem de ônibus para vir até a cidade, fez a prova e passou no vestibular. Resolveu iniciar só no outro semestre, e aproveitou mais alguns meses no Rio para conseguir dinheiro.

Agora, Agassin está concluindo o bacharelado de Química na Universidade Federal, no campus de Blumenau. E, hoje, atua como vendedor e representante de uma empresa da cidade e também como motorista de Uber, nas horas vagas, para complementar sua renda.

“Hoje, depois de muitas dificuldades, consegui me manter por aqui. Claro, todo dia ainda é uma batalha, pois a rotina continua pesada. Porém, quem quer ir atrás dos seus sonhos, não pode pensar em desistir e muito menos se omitir, negar um trabalho, simplesmente fazer o seu para que seu espaço seja conquistado”, comenta.

Na universidade, Agassi fez muitos amigos, inclusive, de Pomerode. Ele nos conta que já passou várias vezes pela cidade, para atender clientes da empresa, e, também, realizou viagens com o Uber até o município. 

“Tenho amigos que estudam na UFSC que são de Pomerode. São pessoas muito boas, tranquilas e fáceis de conviver. Também já tive a oportunidade de passar pela cidade a trabalho e fiquei bem encantado com o que vi, uma cidade organizada, limpa e com um povo receptivo”, afirma.



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