Jornal de Pomerode


Brasil investe mais em educação, diz OCDE, mas gasto por aluno é baixo

Estudo da OCDE analisa sistema educacional de 34 países. No Brasil, 20% de jovens entre 15 e 29 anos não trabalha nem estuda.

O Brasil teve o maior crescimento proporcional em investimento na educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica entre mais de 30 pa&iacute;ses, mas perdeu em outros indicadores e no gasto m&eacute;dio por aluno, segundo dados da Organiza&ccedil;&atilde;o para Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE) divulgados na manh&atilde; desta ter&ccedil;a-feira (24).</p> <p><br />Apesar do investimento p&uacute;blico total ser alto, proporcionalmente, em rela&ccedil;&atilde;o aos outros pa&iacute;ses, o gasto brasileiro anual por aluno da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica ainda &eacute; baixo, na compara&ccedil;&atilde;o. O Brasil gastou cerca de 3.000 d&oacute;lares anuais por aluno da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, enquanto, em m&eacute;dia, os pa&iacute;ses da OCDE investem cerca de 8.200 d&oacute;lares por aluno dos anos iniciais, 9.600 por aluno dos anos finais e 9.800 por aluno do ensino m&eacute;dio.</p> <p><br />Os dados foram inclu&iacute;dos na &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o do estudo "Education at a Glance" ("Um olhar sobre a educa&ccedil;&atilde;o", na tradu&ccedil;&atilde;o livre do ingl&ecirc;s), que compara, no cen&aacute;rio internacional, dados de 2012 e 2013 do sistema educacional dos 34 pa&iacute;ses membros da OCDE. Assim como a R&uacute;ssia, o Brasil n&atilde;o integra a OCDE, mas comp&otilde;e o relat&oacute;rio.</p> <p><br />O estudo aponta que no Brasil, em 2012, 17,2% do investimento p&uacute;blico total foi destinado para a educa&ccedil;&atilde;o, em 2005, esse percentual foi de 13,3%. Entre os pa&iacute;ses analisados em 2012, apenas M&eacute;xico e Nova Zel&acirc;ndia dedicaram maior propor&ccedil;&atilde;o do que o Brasil.</p> <p><br />Em 2012, o investimento em educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica no Brasil foi da ordem de 4,7% do PIB, enquanto a m&eacute;dia OCDE &eacute; de 3,7%. Em rela&ccedil;&atilde;o a 2005, o investimento por aluno da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica no Brasil cresceu 210%, enquanto na m&eacute;dia da OCDE esse crescimento foi de 121%.</p> <p><br />"O Brasil est&aacute; gastando quase 20% em educa&ccedil;&atilde;o ao ano, &eacute; o terceiro pa&iacute;s que mais gasta. N&atilde;o temos a ideia do esfor&ccedil;o que fazemos. Quando vemos esse dado na compara&ccedil;&atilde;o internacional, mostra como mudamos de 2000 para c&aacute;. Mais do que em termos reais o que gastamos em educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, mas era necess&aacute;rio porque gast&aacute;vamos muito pouco", afirma o presidente do Inep, Chico Soares, em entrevista ao G1.</p> <p>&nbsp;</p> <p><br /><strong>Gera&ccedil;&atilde;o &lsquo;nem-nem''</strong></p> <p><strong></strong><br />Se o Brasil supera os demais pa&iacute;ses no quesito investimento em educa&ccedil;&atilde;o, se assemelha aos vizinhos latino-americanos e perde na m&eacute;dia dos pa&iacute;ses da OCDE quando somam-se os jovens com idades entre 15 e 29 anos que n&atilde;o estudam nem trabalham. A gera&ccedil;&atilde;o ''nem-nem'', como &eacute; chamada, atingia mais de 20% dos brasileiros em 2013.</p> <p><br />Esse &iacute;ndice &eacute; semelhante aos de outros pa&iacute;ses latino-americanos como Chile (19%), Col&ocirc;mbia (21%) e Costa Rica (19%), mas est&aacute; acima da m&eacute;dia OCDE, de 16%.</p> <p><br />Entre os pa&iacute;ses analisados, o Brasil (76%) apresenta o maior percentual de jovens de 20 a 24 anos de idade que n&atilde;o est&aacute; estudando. No entanto, nessa mesma faixa et&aacute;ria, 52% dos jovens est&atilde;o empregados, sendo essa tamb&eacute;m a maior propor&ccedil;&atilde;o observada entre os pa&iacute;ses.</p> <p><br />"S&oacute; lamentamos esse dado. As nossas taxas de abandono da escola s&atilde;o altas, e todo o planejamento &eacute; para tornar o ensino m&eacute;dio mais &uacute;til. &Eacute; nesse sentido que o Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o sinaliza. O pouco sucesso no ensino m&eacute;dio pode ser atribu&iacute;do ao fato de n&atilde;o oferecemos o que muitos jovens querem", diz Chico Soares.</p> <p><br />No Amap&aacute; (29%) e Alagoas (30%) o percentual de jovens de 15 a 19 anos que n&atilde;o trabalha nem estuda &eacute; pr&oacute;ximo ao da Gr&eacute;cia (28%), enquanto em Santa Catarina (12%) e Rio Grande do Sul (14%) apresentam percentuais similares aos de pa&iacute;ses como Austr&aacute;lia (13%) e Reino Unido (14%).</p> <p>&nbsp;</p> <p><br /><strong>Avan&ccedil;os</strong></p> <p><strong></strong><br />Apesar de ter diminu&iacute;do o &iacute;ndice de adultos, com idades entre 25 e 34 anos, que n&atilde;o conclu&iacute;ram o ensino m&eacute;dio, o Brasil ainda est&aacute; no grupo que possui as piores taxas nessa modalidade.</p> <p><br />China, Indon&eacute;sia, M&eacute;xico, Turquia, Costa Rica e Brasil apresentam, nessa ordem, os maiores percentuais de jovens e adultos que n&atilde;o t&ecirc;m o ensino m&eacute;dio completo.</p> <p><br />Comparadas as pessoas de 55 a 64 anos de idade no Brasil, a propor&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o concluintes de ensino m&eacute;dio &eacute; de 72% nessa faixa et&aacute;ria e de 39% entre aqueles de 25 a 34 anos.</p> <p><br />Entre os pa&iacute;ses analisados, Cor&eacute;ia do Sul, R&uacute;ssia, Rep&uacute;blica Tcheca e Pol&ocirc;nia s&atilde;o os que apresentam a menor propor&ccedil;&atilde;o de jovens que n&atilde;o possuem o diploma do ensino m&eacute;dio.</p> <p><br />O Brasil tamb&eacute;m est&aacute;, ao lado do Canad&aacute;, entre os pa&iacute;ses que t&ecirc;m o menor percentual de concluintes do ensino m&eacute;dio que cursaram educa&ccedil;&atilde;o profissional, com menos de 5% em rela&ccedil;&atilde;o ao total de concluintes do ensino m&eacute;dio. Na m&eacute;dia dos pa&iacute;ses da OCDE, 46% dos jovens concluintes do ensino m&eacute;dio tem forma&ccedil;&atilde;o profissional.</p> <p>&nbsp;</p> <p><br /><strong>Mais estudo, maior renda</strong></p> <p><strong></strong><br />O levantamento da OCDE tamb&eacute;m aponta que, no Brasil, quem possui um diploma de n&iacute;vel superior tem em m&eacute;dia renda 152% maior que aqueles com somente um diploma de ensino m&eacute;dio. O Brasil e o Chile s&atilde;o os pa&iacute;ses que apresentam a maior diferen&ccedil;a de renda m&eacute;dia entre a popula&ccedil;&atilde;o com educa&ccedil;&atilde;o de n&iacute;vel superior em rela&ccedil;&atilde;o aos que possuem n&iacute;vel m&eacute;dio.</p>


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