Jornal de Pomerode

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Apenas mais uma promessa?

Atuação da Gerência de Trânsito e aquisição de novos veículos colocam em xeque plano de governo da atual gestão, que previa educação no trânsito à punição desenfreada

e4b6efec905689e0a999c3c767a505f9.jpg Foto: Divulgação / PMP

Fiscalização eletrônica. Radares móveis. Multas de trânsito. A atuação da Gerência de Trânsito, em Pomerode, vem sendo pauta há alguns anos e, recentemente, ganhou força, com a instalação de novos equipamentos e, também, aquisição de novos veículos.

É público o consenso de que segurança no trânsito é fundamental para evitar acidentes. Assim como a responsabilidade no mesmo é de cada um, seja condutor ou pedestre. Porém, o questionamento que fica é: a punição é mesmo o melhor negócio

Segundo dados do Portal da Transparência da Prefeitura de Pomerode, de 1º de janeiro a até o dia 13 de junho de 2019, foram arrecadados mais de R$ 230 mil em fiscalização eletrônica, enquanto em multas gerais, o valor supera R$ 340 mil.

 

 

Tão criticada na gestão anterior, a punição e falta de orientação aos condutores, por parte da Gerência de Trânsito, foi uma das bandeiras mais levantadas durante a campanha eleitoral. A mudança, no entanto, ainda é aguardada. 

Em seu pronunciamento na sessão da Câmara do dia 11 de junho, o veeador Ademar Marquardt questiona, inclusive, o poder dado à Getran. “Acredito que o poder de multar deveria ser retirado da Getran e que a eles fosse dado o papel de orientar e cuidar do trânsito, tal qual foi o objetivo de sua criação”.

À Getran coube, também, outra promessa, desta vez relacionada aos acidentes de trânsito, quando a equipe disponível seria capacitada para a elaboração de boletins de ocorrência de acidente sem vítimas, possibilitando que a Polícia Militar de Pomerode trabalhasse a que é designada, ou seja, atuar no patrulhamento ostensivo e prevenção de crimes. Outro ponto que ainda aguarda uma definição.

Inúmeros outros posicionamentos e situações também são relatados pelos pomerodenses e, à comunidade como um todo, fica o silêncio de uma administração que não se explica e não se expõe diante dos questionamentos.

Diante da implantação de sistemas que custam, aos cofres públicos, milhares de reais, a comunidade pomerodense toma conhecimento das ações ditas como necessárias, através da punição.

A pergunta que não quer calar, no assunto, é: quem ganha com as ações implantadas até o momento? A resposta, porém, segue sendo uma incógnita. 

Fiscalização indevida? 

Novos radares móveis foram adquiridos recentemente e a fiscalização acontece em diversos pontos da cidade. Todavia, a forma de atuação foi um dos temas abordados durante a sessão da Câmara desta semana.

 

(Foto: Divulgação)

 

“A fiscalização é necessária, não sou contra. Porém, sou contrário à forma com a qual está sendo realizada. Esconder radares para multar não é uma forma de educação. Os condutores estão sendo punidos de forma indisciplinada e é preciso mudar a forma de ação. Se encontrar um radar escondido, levarei ao gabinete do prefeito”, ressalta o vereador Aldino Oldenburg.

 

(Foto: Moira Petrucci / Câmara de Vereadores)

 

O líder do governo na bancada, Jean Nicoletto, também se mostrou contrário à atuação da Getran. 

“Não aceito que o povo esteja sendo tratado como bandido. É uma falta de educação para com nossa comunidade. É preciso dar o exemplo, respeitar para ser respeitado e sou contrário a esta forma de agir. A fiscalização deve acontecer, mas também, precisa ser sinalizada e realizada de forma coerente”, afirma.

 

(Foto: Moira Petrucci / Câmara de Vereradores)

 

Novos veículos 

Recentemente, a Prefeitura de Pomerode divulgou, amplamente, a aquisição de dois novos veículos destinados à Gerência de Trânsito, no valor total de R$ 180 mil. O investimento também foi pauta na Câmara.

“É necessário que bons veículos estejam à disposição para a realização dos trabalhos. Porém, pelas estradas que temos em nossa cidade e pela grande demanda, precisamos de picapes de luxo e pouco espaço para colocar placas e materiais?”, questiona o vereador Rafael Pfuetzenreiter.

 

(Foto: Moira Petrucci / Câmara de Vereadores)

 

Jean Nicoletto também fala sobre o tema e vai além, visando, ainda, outro setor. “O veículo utilizado pela Defesa Civil, que, às vezes, atua em situações de calamidade, dia ou noite, é muito aquém do que o adquirido pela Getran. O que seria muito mais útil no setor em que se requer bons veículos para andar em áreas de risco e atuação intermitente. Não seria esta uma necessidade em prol da comunidade e segurança aos agentes?”, complementa.

 

O que poderia ser feito com R$ 180 mil?

- Aquisição de  30 câmeras de segurança do tipo OCR;
*contabilizando valor médio pago para a aquisição dos equipamentos já existentes

- Sete meses de repasse, no valor de R$ 23 mil, à Apae;
*valor pago atualmente

- 3.000 consultas de geriatria, cardiologia ou ginecologia; 
*De acordo com tabela vigente do convênio com a Ammvi, no valor de R$ 50,00 (cada)

 

- Mais de 9.000 radiografias;
*De acordo com tabela vigente do convênio com a Ammvi, no valor médio de R$ 20,00

- Mais de 1.800 tomografias computadorizadas de crânio;
*De acordo com tabela vigente do convênio com a Ammvi, no valor de R$ 97,44

- Mais de 3.600 ultrassonografias;
*De acordo com tabela vigente do convênio com a Ammvi, no valor médio de R$ 50,00
- Aquisição de quatro unidades de VW / Saveiro Robust (Zero Km);

- Mais de 270 cateterismos;
*De acordo com tabela vigente do convênio com a AMMVI, no valor médio de R$ 650,00



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