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Amor maior do que o mundo

História revela que o autismo, cada vez mais, precisa parar de  ser tratado como diferença ou dificuldade e pessoas devem ser mais inclusas na sociedade.

46ccbe139d1edc56cce667e53844caa2.jpg Foto: Isadora Brehmer/JP

“Gosto de brincar, pintar, assistir televisão, jogar no tablet, tomar banho de piscina, andar de bicicleta, desenhar”, conta a pequena Layla Rafaela Santos, de apenas oito anos. Estas são algumas das atividades que ela costuma fazer em seu tempo livre, quando não está na escola. No Colégio Doutor, onde cursa o 1º ano, ela estuda de manhã e conta que a parte mais divertida é poder fazer as atividades e brincar com os amigos.

Mas, então, você pode pensar: “esta é a rotina de qualquer criança. Então por que Layla é diferente?”. E este é exatamente o ponto. A pequena Layla é autista, mas nem por isso deve deixar de ter um rotina normal e fazer o que todas as crianças fazem. 

É claro que existem características de pessoas autistas que, teoricamente, criam obstáculos para o desenvolvimento e convivência em sociedade, mas são pontos que, de acordo com especialistas, podem ser trabalhados. 

A mãe de Layla, Juliane Konell dos Santos, conta que a filha frequenta sessões com uma fonoaudióloga e com uma psicopedagoga. Na primeira especialidade, a consulta é realizada no posto de saúde, e na psicopedagogia, o atendimento é na escola. “Desde que começou frequentar as consultas, notamos uma evolução enorme na Layla, principalmente na fala, o que ajuda muito para ela interagir com outras pessoas”, afirma. 

A descoberta do autismo, segundo Juliane, aconteceu quando a menina tinha dois anos. A mãe conta que ela e o marido foram chamados na creche, porque foi lá que notaram certas características diferentes. “Em casa, conosco, era tudo normal, nunca percebemos nada diferente. Mas conversamos com os profissionais e fomos atrás do diagnóstico. Quando o recebemos, eu sabia pouco sobre o autismo, mas fui pesquisando e descobrindo mais coisas. Minha visão mudou completamente”, pondera Juliane.

Na escola, ainda de acordo com a mãe, é possível perceber que os professores e demais profissionais incentivam ao máximo a inclusão de Layla. A questão é trabalhada diariamente com os alunos. “Os amigos da sala da Layla entendem que haverá dias em que ela estará com disposição e alegre para brincar, assim como existem dias em que ela não está disposta, e nestes dias, eles respeitam o espaço dela. A Layla também tem muita sensibilidade nos ouvidos, então, os colegas já sabem que não podem gritar ou fazer muito barulho”, enumera. 

Toda a preocupação e empatia dos colegas de sala, faz com que Layla se sinta mais parte da turma e goste da companhia dos amigos, o que é importante para o seu desenvolvimento. “Minha filha esbanja simpatia, carinho e inteligência, e acredito que não há nada que ela não consiga fazer”, garante Juliane, enquanto abraça a filha.

Porém, como as situações nem sempre são fáceis, a família admitiu que já sofreu com situações de preconceito com relação à Layla, mas nem por isso, Juliane se omitiu. Pelo contrário, ela conta que virou uma verdadeira “leoa” quando percebeu que a filha estava sendo discriminada.

“Em algumas festas e eventos, já percebi que ela era meio deixada de lado. Mas eu brigo com quem está sendo preconceituoso e defendo a minha menina. Nunca deixarei que ela seja deixada de lado ou mal tratada por ser ‘diferente’. E, com certeza, sempre ensinarei que ela deve se defender e ser forte, porque ela não é menos do que ninguém para aceitar isso. Aprendi, com o tempo ,que o amor que ela oferece é o maior do mundo, e só de ver o sorriso no rosto dela já melhora completamente o meu dia. É uma luta diária, mas que vale muito a pena, cada segundo”.



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Créditos: Isadora Brehmer/JP Jornal de Pomerode Isadora Brehmer/JP
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