Jornal de Pomerode


Amor incondicional em qualquer situação

A harmonia na convivência entre dois irmãos é uma questão que precisa sempre ser trabalhada em casa, principalmente se há diferença de idade ou sexo, fatores que podem gerar maior discordância e atritos entre as crianças.

00fd137eebd6473fe49e09cd0b1edab4.jpg Foto: Divulgação

A harmonia na convivência entre dois irmãos é uma questão que precisa sempre ser trabalhada em casa, principalmente se há diferença de idade ou sexo, fatores que podem gerar maior discordância e atritos entre as crianças. 

É o que poderia acontecer na família Jung, com os irmãos Johann Kraieski Jung, de três anos, e a irmã mais velha, Nicole Kraieski Jung, de 10. Além desta diferença na idade, há um fator a mais que exige cuidado por parte dos pais. Johann é autista e, por isso, possui maneiras diferentes de lidar com determinadas situações, algo que, pelo ponto de vista de outra criança, pode não ser compreendido facilmente. 

Porém, de acordo com a mãe, Vanessa Kraieski Jung, este não é um obstáculo enfrentado pela família, que, desde o nascimento de Johann, não mediu esforços para que os irmãos se dessem bem sempre. “Já aconteceram vários conflitos. Foram vários momentos de estresse, foi uma fase bem difícil quando a Nicole não entendia o autismo, ela provocava muito o irmão, tinha muito ciúmes, e não entendia as limitações e manias dele, mas com ajuda da psicóloga e da neuropediatra que conversou muito com ela nas consultas, superamos essa terrível fase, e agora, ela está bem mais paciente, amorosa, protetora e dedicada ao Johann. Sempre procura fazer alguma atividade com ele, toda noite pega um livro e conta uma história pra gente antes de dormir”.

Ela também afirma que é natural que Johann receba um pouco mais de atenção às vezes, pois algumas situações exigem mais cuidado. “Nicole fica um pouco triste e frustrada, às vezes, quando ele não participa das brincadeiras que ela propõe, mas entende. Brincadeiras como esconde-esconde, pega-pega e brincar de ‘faz de conta’ ele ainda não compreende muito bem, ela tenta ensinar, mas ainda ele não interage como o esperado. Estamos trabalhado muito isso nas terapias, e sempre que posso levo a Nicole junto”, esclarece a mãe. 

Depois que a mais velha começou a entender os desafios do autismo, muita coisa melhorou. Vanessa conta que, em momentos que a filha a viu chorando por causa das dificuldades em lidar com momentos de conflitos, Nicole percebeu que precisava mudar, ajudar a mãe e, principalmente, aceitar o caçula com o jeito dele de ser. 

“Hoje ela ensina, estimula, e tem mais cuidado com ele. É bem protetora, não tira o olho dele nos parques, é uma mana terapeuta. Até a parte afetiva melhorou, antes os beijos e abraços que eram raros, hoje, é espontâneo. Às vezes, ele sai da minha cama pra dormir na cama dela, dormem juntinhos. Meu coração transborda de amor quando vejo esse afeto entre os dois e meu objetivo é estimular cada vez mais essa relação entre eles, para que, no futuro, eles possam contar sempre um com o outro. Independente da situação do Johann, tendo esse laço de amor, tudo será mais fácil”, declara Vanessa.

O aprendizado que um conquista com o outro é uma das partes que a mãe acha que são as mais importantes, além de ser perceptível o amor incondicional e a cumplicidade entre os dois. “E o instinto protetor que naturalmente nasce dessa relação é muito especial, pois eles aprendem a não se preocuparem apenas com eles, mas a cuidar e garantir o bem-estar do irmão. E paciência, é claro. Eles aprendem juntos que nem tudo é como eles querem e quando querem, é uma realidade que se aprende duramente e diariamente”, finaliza. 

 



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