Jornal de Pomerode

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Acessibilidade: um direito de todos

Na segunda entrevista da série de reportagens sobre inclusão, conheça Walter Bendheim Filho, ex-policial militar e deficiente físico, que alerta para a necessidade de pensarmos e tornar os espaços mais acessíveis a todos

c207d44000ad405bb1e51304ebdc8814.jpg Foto: Isadora Brehmer/Jornal de Pomerode

Ter a consciência de que todos poderemos precisar de acessibilidade um dia. É isso que o morador de Pomerode e membro da Apodef, Walter Bendheim Filho, de 57 anos, pede.

Desde 2004, quando, devido a uma infecção, perdeu o movimento nas pernas, passou a ver a vida por um outro ângulo. “Você aprende a viver de novo, principalmente nas coisas mais simples, como trocar de roupa, tomar banho e ir ao banheiro. Tudo muda drasticamente”, afirma Bendheim.

Para que pudesse reaprender a fazer as coisas do dia a dia, ele contou com ajudas preciosas, como a de Simone Weber, fundadora da Apodef, participando, inclusive, da fundação da instituição. Precisou, também, frequentar a Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, onde teve a chance de aprender muito mais e, ainda, ter o primeiro contato com o esporte, com basquete e um pouco de natação.

“Eu fazia parte da Associação Blumenauense de Deficientes Físicos, a Abludef, e lá tínhamos o desejo de montar um time de basquete. Então, conseguimos um professor voluntário e criamos o primeiro time de basquete adaptado de Blumenau”, conta. Porém, uma das dificuldades era por ser um esporte coletivo, então, precisavam de todos do time. Foi quando surgiu outra alternativa esportiva, o Atletismo. Esta modalidade possibilitou a Bendheim diversas conquistas, principalmente, no Lançamento do Disco e no Lançamento do Peso.

“Depois disso, tive uma parada no esporte e retornei em 2015, desta vez com a Natação. Nesta modalidade, conquistei três medalhas de ouro no Parajasc do ano passado, nos 50 metros Crawl, 50 metros Costas e 50 metros Peito”, relata, orgulhoso.

Acessibilidade deve ser para todos - “Todos temos que pensar na acessibilidade, porque ela não é só necessária para o deficiente, mas sim, para todas as pessoas. Um dia seremos idosos e poderemos ter dificuldades de locomoção ou, até mesmo, precisar como um deficiente”, pondera o ex-policial militar, falando sobre a grande necessidade de se pensar na questão da acessibilidade.

Como atleta, ele pensa nas opções que os deficientes podem ter para poderem praticar alguma modalidade. Ele cita, como exemplo, o fato de Pomerode não ter uma piscina pública. “Hoje, o deficiente, em questão de esporte, se quer ter mais opções, precisa ir a Blumenau, pois em Pomerode há poucas modalidades”, coloca.

Outro ponto que ele destaca é que o simples ato de andar em Pomerode é difícil, travessias são complicadas e calçadas muito inclinadas. “Estacionamentos públicos também são limitados, muitas vezes, colocando a mesma vaga para deficientes, idosos e gestantes, sendo que cada um tem as suas necessidades. Mas as soluções podem ser mais simples do que imaginamos. Por exemplo, por que fazer uma escada e uma rampa, se podemos ter só a rampa, que é acessível a todos?”, questiona Bendheim.

A Libras - Língua Brasileira de Sinais -, é outra forma que poderia estimular a  inclusão, porém poucas pessoas sabem, também, o que dificulta a comunicação para os deficientes auditivos.

“Pequenas mudanças poderiam evitar que passemos por situações constrangedoras, até porque o deficiente, hoje, tem muito mais autonomia, sai mais. As pessoas precisam colocar a mão na consciência para esta realidade. Acredito que o deficiente precisa buscar a própria inclusão, que ele deve se incluir, sem esperar que alguém o faça, porque as pessoas sempre olharão com pena. Então, nós precisamos nos incluir”, finaliza.



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