Jornal de Pomerode

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Ação demolitória causa comoção em população de Pomerode

Parte da residência de uma professora precisou ser demolida e caso dividiu opiniões na cidade

b05636911a692335377bf3971c623e3d.jpg Foto: Isadora Brehmer/JP

Ver uma parte de seu lar ser destruída, sem poder fazer nada para impedir. Foi o que precisou enfrentar a professora Glória Weidgenant Campelo, que teve parte de sua residência demolida, por, de acordo com a Secretaria de Planejamento, estar em desacordo com o Plano Diretor do município. 

Parte da residência estava irregular em relação ao Plano e, por isso, foi incluída na lista de ações demolitórias que precisam ser efetuadas em Pomerode, como foi noticiado na edição 1147 do Jornal de Pomerode. Na quinta-feira, 13 de setembro, começou a circular a notícia de que seria colocada em prática a demolição no dia seguinte, e muitos se mobilizaram em favor da professora, principalmente, alunos.

Na manhã de sexta-feira, dia 14, aumentava  a apreensão na residência de Glória e o tempo fechado e chuvoso parecia que iria adiar os trabalhos de demolição. Mas próximo às 12h, começaram a chegar as máquinas e os trabalhadores que deveriam executar a ação, de uma empresa terceirizada. Os advogados de defesa da família ainda tentaram convocar uma reunião de emergência com o prefeito, Ércio Kriek, mas este informou que nada poderia ser feito, mesmo que sentisse muito pela ação demolitória.

De acordo com a Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente de Pomerode, a parte da construção que foi demolida não havia sido autorizada pela prefeitura, por isso, estava irregular e embargada desde o ano de 2014, mas este embargo não teria sido respeitado. Logo depois, foi emitido um auto de infração, portanto, quando foram esgotados os recursos possíveis, foi notificado sobre a demolição.

“Em 2011, havia sido feita a consulta de viabilidade para a construção, que não foi aprovada, na época. Não havia como regularizar a construção, pois ela encontrava-se em uma Área de Preservação Permanente (APP), portanto, a última alternativa foi a demolição. Reforço que o município não tem interesse em executar as ações demolitórias, mas precisa colocar em prática o que manda o Plano Diretor da cidade, que direciona todas as construções da cidade”, afirmou o secretário de Planejamento e Meio Ambiente, Jorge Hoge.

O outro lado da moeda

Após precisar deixar a sua casa, por questões de segurança, Glória foi acolhida por amigos. Através de suas redes sociais, ela se manifestou sobre o ocorrido, expondo o que aconteceu, na sua visão. 

Ela alega que fez a construção em cima de uma garagem que já existia quando financiou a compra do imóvel, em 2002. “Acredito que eu não poderia fazer o financiamento caso a construção estivesse irregular. Quando recebi a primeira notificação, fui até a prefeitura verificar e lá não encontraram nenhum registro do imóvel. Procurei, então, e engenheira Viviane Gadotti, que me deu um número que seria do registro. Levei esse número até a prefeitura e, depois, foi aplicada uma multa a mim”, conta a professora.

Glória admite que não conseguiu quitar a dívida pois não tinha condições e afirma que acreditou que poderia pagar posteriormente. Então, sua obra foi embargada e Glória procurou saber o porquê. “Na prefeitura, disseram que eu poderia continuar a obra e regularizar quando estivesse pronta. E foi o que eu fiz”, coloca.

Quando soube que a obra seria demolida, procurou a Secretaria de Planejamento e afirma ter sido instruída a procurar os seus direitos, mas não conseguiu regularizar, mesmo que não visse o que estava errado, porque acreditava ser somente uma ampliação vertical de algo que já existia.

Embora se declare muito triste pela perda de parte da sua casa, Glória não perde a esperança. “Podem tirar o meu bem, concreto, mas a minha dignidade ninguém irá tirar. Mas tenho pena de famílias que não terão para onde ir. Eu ainda terei uma parte da minha casa para mim. O meu erro foi não ter dinheiro na hora certa para pagar e ainda tem um crime ambiental para ser julgado, pois os 20 metros de distância do rio que não teriam sido respeitados, mas que quando a obra foi averbada, em 2002, estava lá”, ressalta.

Por fim, ela agradece pelo carinho recebido. “Obrigada por todos os que mandaram mensagem, por todos os alunos que me confortaram, aos pais que mandaram mensagem, a todo que, de alguma forma, tentaram me confortar, o meu muito obrigada”.

Mais obras devem ser demolidas

Ainda existe uma lista de ações demolitórias previstas, e mais construções devem ser demolidas na cidade. Porém, o número não é  exato, pois há construções que ainda podem ser regularizadas.



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Créditos: Isadora Brehmer/JP Isadora Brehmer/JP
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