Jornal de Pomerode


A vocação não escolhe o sexo

Muitas pessoas afirmam que a profissão é mais do que uma escolha, é um chamado, que não diferencia raça ou sexo. E isto certamente se aplica a Erick Jacinto, de 28 anos, manicure em um salão de beleza. Ignorando o preconceito, ele assumiu uma profissão que muitos consideram como sendo exclusivamente feminina.

8fbcc12503856a3a9423a4d043c65cdc.jpg Foto: Sandy Doege / JP

Muitas pessoas afirmam que a profissão é mais do que uma escolha, é um chamado, que não diferencia raça ou sexo. E isto certamente se aplica a Erick Jacinto, de 28 anos, manicure em um salão de beleza. Ignorando o preconceito, ele assumiu uma profissão que muitos consideram como sendo exclusivamente feminina. 

Tudo começou em 2012, quando uma manicure do salão de dona Helena Wolfart faltou e ela pediu que ele tirasse o esmalte de uma das clientes. “Eu acabei fazendo, mesmo sentindo um pouco de vergonha, porque não via o ‘ser manicure’ como uma coisa de homem”, relata Jacinto. Ele, então, acabou deixando o emprego de vendedor em uma loja, para atuar como manicure. Em 2013, ele fez um curso profissionalizante para aperfeiçoar o trabalho. 

Jacinto considera ser manicure uma profissão normal e não vê problemas em um homem trabalhar com isso, se faz seu serviço bem feito. Ele afirma ter um gosto especial pela área da beleza e acredita que não deveria haver um preconceito com o homem que decidir se dedicar a um de seus ramos.

Porém, o manicure admite que o preconceito está, sim, bastante presente e que vem de todos os lados, inclusive reconhecendo que ele mesmo tinha um certo preconceito, por achar que não era profissão para um homem. 

“Os meus colegas de futebol tinham preconceito, sim, porque por diversas vezes eu não podia ir jogar por ter a mão ou pé de alguma cliente para fazer, e isso gerava deboche por parte deles. Outra situação era das clientes novas, que vinham com um pouco de receio, mas depois de um tempo elas reconheciam que o meu trabalho era bom”, conta. 

Não foram poucas as vezes que ele pensou em desistir, principalmente no começo e devido ao preconceito. Mas, segundo Jacinto, o que o motivou a continuar foram os elogios e a satisfação das clientes após o serviço pronto. “As clientes começaram a elogiar, dizendo que o meu trabalho era bom e isso me motivou a continuar, apesar do preconceito, portanto, procuro nunca deixá-las na mão, atendendo quando elas quiserem”. 

Nos cinco anos que atua na profissão, ele garante que nunca foi movido pelo dinheiro e que escolheu ser manicure porque é algo que lhe faz bem, que lhe deixa contente, e procura ser perfeccionista no seu trabalho. “Eu realmente fico extremamente feliz quando uma cliente sai satisfeita. É a melhor parte”, afirma. 

O manicure reforça que as definições de profissões “de homem” ou “de mulher” não deveriam existir, para que cada um possa escolher o que lhe faz bem. “Eu acho que é uma profissão como qualquer outra. Cada um tem um dom diferente. Eu, por exemplo, gosto bastante dessa área da beleza, então sigo uma profissão que tem a ver com ela. O que eu mais gosto é ver a pessoa entrar de um jeito no salão e vê-la sair depois transformada, feliz, isso nos motiva muito”, reflete. 

Para finalizar, ele reitera que o principal é você estar satisfeito com a profissão que escolheu e, então, poder executá-la da melhor maneira possível, não deixando que padrões impostos pela sociedade determinem o que cada um será na vida. 



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Créditos: Sandy Doege / JP









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