Jornal de Pomerode

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“A palavra de ordem é eficiência”

Nesta edição, inicia-se uma série de entrevistas com os candidatos ao governo de Santa Catarina. A cada edição, os eleitores terão a oportunidade de saber mais sobre os candidatos

e870b397643be792fea05d4f5aecda96.jpg Foto: Divulgação

Jornal de Pomerode - Se possível, gostaríamos de saber da sua história e do seu envolvimento com a política.
Mauro Mariani -
Minha mãe foi minha primeira professora, na vida e na política. Como professora, foi quem me ensinou a ler e a escrever. Como vereadora e secretária municipal, me fez entender que é na atividade política que temos a chance de promover o bem ao maior número de pessoas. Sou formado em Gestão Pública, casado, pai de cinco filhos e tenho 54 anos. Iniciei minha trajetória política em Rio Negrinho, no Planalto Norte catarinense, onde fui prefeito por duas oportunidades, entre 1996 e 2002. Antes disso, fui empreendedor no setor moveleiro, segmento em que comecei a trabalhar aos 19 anos. 

Trajetória 

Em 2002, Mariani conquistou o primeiro desafio estadual com uma vaga na Assembleia Legislativa. No Governo, esteve, em três oportunidades, na Secretaria de Estado da Infraestrutura, durante os governos de Luiz Henrique da Silveira, ganhando destaque por ter ajudado a pavimentar mais de 50 acessos a municípios, garantindo ligação asfáltica a 100% das 295 cidades de Santa Catarina, marca única em toda a América Latina. 

 Deputado federal desde 2007, teve a maior votação do Estado para Câmara dos Deputados em 2010, com pouco mais de 186 mil votos. O emedebista é apontado pelo portal Ranking dos Políticos, como o parlamentar com o melhor desempenho da bancada catarinense. Entre os critérios avaliados estão: a presença em plenário; participação em comissões; processos judiciais; além da quantidade e qualidade dos projetos apresentados e relatados. Mariani também esteve entre os selecionados para o Prêmio Congresso em Foco 2018. Apenas os parlamentares ficha limpa, ou seja, que não respondem a nenhum tipo de processo judicial, podem participar.

JP - Destaque suas cinco principais propostas.
MM -
Saúde: Com gestão técnica e eficiente, a dívida de mais de um bilhão de reais, herdada do governo anterior, foi reduzida para R$ 700 milhões em poucos meses, portanto, vamos aprimorar ainda mais a gestão, com foco na interiorização e qualificação dos serviços. Em nosso primeiro ano de governo, pretendemos zerar as filas de cirurgia, pois sabemos como fazer, a exemplo do mutirão de cirurgia de catarata que, nos últimos meses realizou 12 mil procedimentos. Para isso, vamos estabelecer parcerias com os hospitais públicos e com a iniciativa privada. Mas, sobretudo, gestão.

 Educação: Ao mesmo tempo em que temos 180 mil jovens matriculados no ensino médio, em Santa Catarina, também temos 80 mil fora das salas de aula. Essa é uma batalha urgente, que deve ser assumida por todos os setores da sociedade. Dar oportunidade a estes jovens deve ser nosso compromisso por todos os dias em que atuaremos no governo. É preciso tornar a escola atraente e acessível às nossas crianças e isso se faz por meio de uma estrutura satisfatória e ensino de qualidade, com professores motivados e capacitados para ir além do ensino tradicional, conduzindo nossos jovens para um futuro de oportunidades. 

 Segurança Pública: A prioridade é repor, anualmente, 600 policiais militares que passam para a reserva. O Estado tem que, minimamente, repor todos os anos esse número de policiais e também recuperar o pessoal da Polícia Civil, que não se fala muito, se fala em Polícia Militar e se esquece da Polícia Civil. A Polícia Civil está muito aquém do seu pessoal, temos que fazer contratações e pôr, no mínimo todos os anos, o número de policiais que passam para a reserva. 

 Mobilidade urbana: Os grandes centros estão estagnados do ponto de vista da mobilidade urbana, a exemplo de Florianópolis, que beira ao colapso. O governo precisa atuar mais próximo às prefeituras municipais, estabelecendo parcerias que viabilizem soluções para uma condição que, infelizmente, só piora. Da mesma forma, temos um estado extremamente empreendedor, que escoa sua produção majoritariamente pela malha viária. Nossas estradas estão em péssimas condições, o governo precisa ser um mecanismo eficiente de desenvolvimento e não dificultar o processo. Nossa proposta é criar um fundo de infraestrutura Estadual, na ordem de R$ 100 milhões, e todos os meses fazermos a manutenção. Se não for feita a manutenção normal, a recuperação de uma rodovia irá custar quatro ou cinco vezes mais. A falta de manutenção, mais do que o prejuízo em si, é o risco para a vida daqueles que trafegam por elas. 

 Gestão e finanças: Duas linhas de trabalho que já foram iniciadas com o atual governador, Eduardo Moreira, precisam ser ampliadas e desenvolvidas pelo próximo governador: o estímulo à economia e o enxugamento da máquina. Ações de incentivo e estimulo à indústria são questões que devem ser tratadas com seriedade e rigor, porém, são imprescindíveis. É basicamente da arrecadação estadual que vem os recursos para investimentos nos serviços em todas as áreas. O crescimento econômico é um processo que precisa se retomado e mantido em curva ascendente. Uma característica que sempre foi a realidade de SC: crescer acima da média nacional. E daqui pra frente, pretendemos promover esse crescimento de forma igualitária a todas as regiões, vamos olhar para cada região com o olhar que necessita.

 Por outro lado, as despesas do governo extrapolam sua capacidade de cobertura, reflexo de uma máquina inchada, cara e pouco eficiente. E isso não se resolve com promessas de cortar cargos comissionados, isso é papo furado. Os cargos comissionados representam um por cento da folha de pagamento do governo. É preciso analisar profundamente cada estrutura governamental, na busca de organização e combate ao desperdício, eliminando o que já não tem mais função prática e apoiando toda e qualquer iniciativa que represente economia ao caixa do Tesouro.       
 

JP - Qual a importância da filiação com PSDB?
MM -
Além de uma agremiação política importante de Santa Catarina e do Brasil, o PSDB é nosso parceiro de longa data nessa jornada pelo bem do nosso estado. Lá em 2003, na primeira vitória desse grande projeto iniciado com a descentralização administrativa, eles estavam conosco. Na missão de cuidar bem de Santa Catarina e trabalhar sério em favor dos nossos irmãos catarinenses, nós nos encontramos muito naturalmente. Não nos unimos contra ninguém, temos um projeto que busca dinamismo e transformação, podemos fazer mais pela nossa gente. O PSDB me deu um vice notável, Napoleão Bernardes, um jovem que tem grande futuro político e esbanja competência, já demonstrada na prefeitura de Blumenau. 
 

JP - Você já exerceu cargo de Deputado Federal. Acredita que isso pode contribuir com seu mandato? 
MM -
Tenho certeza que sim. Um bom parlamentar precisa conhecer o funcionamento do governo, para que seja útil e defenda os interesses do estado na Câmara. Da mesma forma, conhecer os caminhos e as pessoas que podem ajudar nosso estado, também faz a diferença. Temos grandes lutas a serem travadas na capital federal, a exemplo das obras pendentes em nossas rodovias federais e o recebimento de verbas importantes para setores como a Saúde e Educação. Por exemplo, exercendo o cargo de deputado federal, sei que, enquanto governador, preciso estar em perfeita sintonia com a bancada catarinense na Câmara, atitude não praticada pelo atual ex-governador. Poderia ter destravado pleitos importantes, se tivesse mobilizado os deputados catarinenses de forma mais ativa. 
 

JP - Caso eleito, qual seria sua prioridade para Santa Catarina? 
 MM -
Como candidato ao governo pela coligação “Santa Catarina Quer Mais” tenho como principal proposta trazer a eficiência de setores da sociedade para dentro do governo, de forma a entregar melhores resultados para a população. 
 

JP - Na sua opinião, quais serão os principais desafios para um futuro governador do estado? 
MM -
Primeiro é preciso estabelecer o controle absoluto dos gastos públicos. Foi divulgado, recentemente, um ranking entre os estados brasileiros acerca do desempenho em vários segmentos de Governo e, na questão financeira, Santa Catarina ficou com o sexto pior do Brasil. Perdeu-se o controle sobre os gastos públicos nesses últimos anos e a sociedade tem o direito de conhecer essa realidade. Foi-se o tempo em que se varriam os problemas para debaixo do tapete. Vamos abrir um canal de comunicação transparente e acessível aos catarinenses. É preciso reconhecer nossas dificuldades e tratá-las de forma realista, para juntos enfrentá-las com coragem e seriedade. O controle dos gastos, o enxugamento da máquina e o estímulo ao crescimento econômico é que vão garantir os recursos necessários para resgatarmos a qualidade dos serviços entregues à população, especialmente, em Saúde, Educação, Seguranças e Infraestrutura. A palavra de ordem é eficiência. 
Faremos uma profunda reavaliação da estrutura do governo, com objetivo de reduzir o peso que hoje recai à sociedade catarinense. 



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