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“A nossa prioridade é reestruturar o caixa do Governo do Estado”

Confira mais um texto da série de entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado de Santa Catarina

f4d1d5e0ec0af11b8718acabf4172454.jpg Foto: Divulgação/PSOL

Jornal de Pomerode - Se possível, gostaríamos de saber da sua história e do seu envolvimento com a política.
Leonel Camasão –
Eu iniciei na política no movimento estudantil, na cidade de Joinville, participando do grêmio no Ensino Médio. Fui do Diretório Central dos Estudantes, na universidade, e de lá, nunca parei. Militei no movimento passe livre, em uma associação LGBT, em Joivillle, e entrei no Sindicato dos Jornalistas, em 2011. Já prestei assessoria para diversas entidades, tanto ONG’s como sindicatos, e também fui assessor parlamentar nos últimos anos, na capital, Florianópolis. Eu tenho 16 anos de atuação política em Santa Catarina, 10 deles no PSOL, no qual, fui presidente estadual, candidato a prefeito de Joinville, candidato a deputado federal, em 2010, e deputado estadual, em 2014. Esta é a minha quarta eleição.

JP – Cite cinco propostas presentes em seu plano de governo.
LC –
Primeira proposta: cortar os gastos que temos, hoje, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina pela metade e investir esse recurso na Universidade do Estado de Santa Catarina. Vamos cortar privilégios para ter dinheiro para investir na ensino superior gratuito de qualidade.

Segunda proposta: rever a farra das isenções fiscais no nosso estado. Hoje, Santa Catarina deixa de arrecadar, em impostos, o dobro da sua dívida prevista para 2019. Não é aumentar impostos, mas sim, rever setores que receberam isenções de impostos que deveriam ser pagos, para reforçar o caixa do Governo do Estado e recuperar o seu potencial de investimento em serviço público. 

Terceira proposta: descentralizar os serviços de saúde no estado, a partir da capacitação de hospitais do SUS e hospitais da rede filantrópica para executarem serviços de média e alta complexidade, assim como, revogar os contratos com as organizações sociais que gerem hospitais do SUS, porque entendemos que o melhor modelo de gestão é o modelo de administração direta, que é mais barato e menos suscetível a casos de corrupção. Nós vamos retomar os hospitais que foram terceirizados, para a gestão direta do estado. 

Quarta proposta: nós vamos criar a Secretaria Estadual das Cidades. Vai ser um órgão técnico para auxiliar os pequenos e médios municípios a executarem tarefas que, por vezes, são muito complexas para a sua capacidade administrativa, como por exemplo, Plano Diretor, Plano de Resíduos Sólidos (tratamento do lixo), Plano de Gestão de Água e Saneamento, Plano de Mobilidade Urbana, e muitos desses planos são regionais, não são só do município. Eles devem ser feitos em parceria com uma microrregião. Então, esse órgão técnico, a Secretaria Estadual das Cidades, vai ajudar as regiões a pensarem o seu desenvolvimento para o futuro, em parceria com o Governo do Estado.

Quinta proposta: vamos extinguir as Agências Regionais e parar de pagar aposentadoria aos ex-governadores. Isso é uma imoralidade.

JP - Porque decidiu se filiar ao PSOL, partido de Guilherme Boulos?
LC –
Eu me filiei ao PSOL em 2008, antes de Guilherme Boulos, e decidi me filiar a esse partido porque não tinha envolvimento em casos de corrupção, pois, na época, era o partido que fazia oposição à esquerda, ao governo do PT, e era com essa posição que eu me identificava. Havia uma oposição ao PT, que era o pior do que eles. E nós no PSOL, em 2008, decidimos ingressar no partido para pensar em uma alternativa para o nosso estado.

JP - Você já exerceu o cargo de diretor do Sindicato dos Jornalistas. Acredita que esta experiência profissional pode contribuir com o cargo de governador? Como?
LC –
Eu acredito que sim. Não só no Sindicato dos Jornalistas, mas em todos os movimentos e entidades que eu participei, é uma experiência importante, para entendermos não só como funciona a administração por entidades, mas também, como estar deste lado do balcão, ou seja, o lado que reivindica direitos do governo. Essa experiência de estar deste lado da luta social é muito importante para uma chegada nossa ao governo, porque nós conhecemos as demandas e os desejos dos setores organizados do nosso estado.

JP - Caso eleito, qual seria sua prioridade para Santa Catarina?
LC –
A nossa prioridade é reestruturar o caixa do Governo do Estado, a partir da revisão das isenções fiscais, do combate aos privilégios, do fim do pagamento das aposentadorias aos ex-governadores, para que a gente tenha recursos para fazer o que realmente interessa, que são serviços públicos de qualidade para a população e obras de infraestrutura que melhorem a vida do povo catarinense.

JP - Na sua opinião, quais serão os principais desafios para um futuro governador do estado?
LC –
Acredito que o principal desafio é enfrentar uma classe política que domina nosso estado há tanto tempo, que não quer “largar o osso”, e que está, nesse momento, tentando se reorganizar e se renovar a partir de rostos novos, mas que representam o mesmo para a gente. Então, o nosso principal desafio é combater essa elite política podre que existe em Santa Catarina e que domina nosso estado há tanto tempo.

 

Leonel Camasão é o segundo governável entrevistado. A primeira edição, com outro candidato, você pode conferir aqui



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