Jornal de Pomerode

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A história de quem luta diariamente

No dia em que se comemora os 30 anos da luta contra a Aids, conheça Agnes, que, por meio de sua história, busca o respeito e a conscientização.

621eb152e70d8cbea8b4ef00dfde851d.jpg Foto: Matheus Martins/Jornal de Pomerode

Ela gosta de flores, é fã de carteirinha do cantor sertanejo Daniel, seu hobby favorito é dançar, é esposa, mãe, avó, bisavó e, aos 57 anos, assim como qualquer outra pessoa, quer ser respeitada. Agnes Kloehn Jandre é soropositivo e, neste dia 01 de dezembro, data que marca os 30 anos da luta contra a Aids, compartilha sua história como forma de conscientização. 

Quando estava grávida de quatro meses de sua filha caçula, Carla, no ano de 1996, descobriu o HIV. Já desconfiada de que havia algo errado, foi ao médico, realizou o exame, que mostrou o resultado positivo. “Dentro do consultório, não consegui chorar, após sair de lá, fiquei muito triste”, conta. 

A alegria e a coragem foram resgatadas após receber o apoio de seus três filhos, vindos de seu primeiro casamento, com quem compartilhou a notícia por primeiro. O nascimento da filha, de seu segundo relacionamento, em Florianópolis, também foi muito importante e um marco em sua vida. “Minha filha era soropositiva até um ano e seis meses. Foi a primeira a se curar sem remédio e sem nada”, conta Agnes, explicando que, na época, depositou sua fé em Deus e em Nossa Senhora e, por isso, não teve medo. 

Mesmo com o apoio por parte da família, Agnes recebeu comentários maldosos de sua situação, vindos de pessoas próximas e outras, nem tanto. O preconceito começou a fazer parte de sua rotina. E, devido a isso, juntamente com o marido, resolveu se mudar para o município de Presidente Getúlio, onde residiu por cinco anos. “Quando voltei para Pomerode, as pessoas estavam iguais, ainda preconceituosas, porém eu estava diferente e resolvi tomar a iniciativa de ‘colocar a cara a tapa’ e tentar mudar essa situação da cidade, não só por mim, mas pelos demais, também, porque somos todos seres humanos”, explica. 

Atualmente, Agnes continua seu tratamento e alerta sobre a importância de tomar cuidado. “Em primeiro lugar, usar a camisinha sempre. Pílula evita gravidez, mas o preservativo evita a doença e, em segundo lugar, amar a si mesmo”, aconselha, falando, também, sobre o respeito mútuo que deve haver entre pessoas com doenças incuráveis e curáveis. 

Os olhares, hoje, para ela, já não são mais motivos de preocupação, porém, a ignorância e falta de informação, sim. “Eu nunca menti para ninguém que sou soropositivo e não é por isso que fico só em casa. Saio de sexta a domingo com meu esposo. Me divirto! Não tem um final de semana que fico somente em minha residência”, relata. 

Para quebrar o tabu 

A sigla Aids significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. O vírus da Aids é conhecido como HIV e encontra-se no sangue, no esperma, na secreção vaginal e no leite materno das pessoas infectadas pelo vírus. Objetos contaminados pelas substâncias citadas, também podem transmitir o HIV, caso haja contato direto com o sangue de uma pessoa. 

A prevenção é feita evitando-se todas as formas de contágio citadas acima. Com relação à transmissão via contato sexual, a maneira mais indicada é a utilização correta de preservativos durante as relações sexuais. Atualmente, existem dois tipos de preservativos, também conhecidos como camisinha: a masculina e a feminina. 

Outra maneira é a utilização de agulhas e seringas descartáveis em todos os procedimentos médicos. Instrumentos cortantes, que entram em contato com o sangue, devem ser esterilizados, de forma correta, antes do seu uso. Nas transfusões de sangue, deve haver um rigoroso sistema de testes para detectar a presença do HIV, para que este não passe de uma pessoa contaminada para uma saudável.

A Aids é transmitida de diversas formas. Como o vírus está presente no esperma, secreções vaginais, leite materno e no sangue, todas as formas de contato com estas substâncias podem gerar um contágio. As principais formas detectadas até hoje são: transfusão de sangue, relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de seringas ou objetos cortantes que possuam resíduos de sangue. A Aids também pode ser transmitida da mãe para o filho. 



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Créditos: Matheus Martins/Jornal de Pomerode
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