Jornal de Pomerode

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A herdeira dos pioneiros

Filha dos fundadores conta a história do grupo, sob a perspectiva de quem viu o sonho se tornar realidade. Confira mais uma matéria do Especial de Comemoração aos 50 anos do Alpino Germânico

577568f3c9da00b42d9a824ae95ede66.jpg Foto: Divulgação Alpino Germânico

Com um sorriso cativante, Dona Heide Goede, de 79 anos, filha dos fundadores Linda e Francisco Zmazek, conta que, para os pais, o grupo era tudo, e que vivam por ele. Antes de fundarem o Alpino Germânico, já usavam os trajes e dançavam em clubes de São Paulo, cidade em que se conheceram. Zmazek, nascido em 1911, era natural de uma pequena cidade da Áustria e veio para o Brasil com sua tia, quando tinha 14 anos. O casal veio, anos depois, com seus filhos Francisco Júnior e Heide, para Pomerode, para ele trabalhar na Porcelana Schmidt.

Já em Pomerode, Linda, que tinha conhecimentos sobre a área, abriu uma loja de tecidos. As vendas da loja da família Zmazek cresceram tanto, que Linda não conseguia manter a loja e ir a São Paulo buscar mais produtos. Para ajudar a esposa, Zmazek acabou saindo da empresa de porcelana e, anos depois, Heide conta que também foi ajudar a mãe na parte da costura. Seu irmão mais velho, Francisco Zmazek Júnior, estudou em um colégio interno e se formou na Aeronáutica, era o maior orgulho do pai. Logo após a formatura, ele foi transferido para o estado do Ceará, onde, no ano de 1960, em um acidente ocorrido com um caminhão, ele veio a óbito, o que deixou o pai extremamente abalado. 

Anos depois, o casal criou o grupo por amor à dança e à cultura, e em lembrança ao filho. O grupo foi criado em Testo Salto, de onde vinham a maior parte dos integrantes. Linda nunca chegou a ser dançarina, mas costurou os trajes e, junto do marido, ensaiou os dançarinos, já que o casal já conhecia as músicas e as danças. O pai de Heide era um dos músicos e tocava violão. Toda a parte de trajes, músicas e danças foram organizadas pelo casal. O grupo realizou diversas apresentações em nossa região e em outros estados, já que era o único de origem germânica em nossa região. Anos depois, por uma sugestão do então prefeito Eugênio Zimmer, o grupo se transferiu para Pomerode, de onde vinha a maior parte dos integrantes. Heide conta que não teve muita participação na fundação, mas acompanhou de longe a concretização do sonho do pai. “Meu pai amava esse grupo acima de tudo, mesmo quando não podia mais dançar, acompanhava o trabalho deles. Ele ficaria orgulhoso vendo como o grupo está hoje”, afirmou Heide. Até hoje, Heide guarda o violão e a Lederhose (calça de couro) do pai como uma forma de manter vivas as suas lembranças.

 



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