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A força da mulher do campo

Hanna Lora Ramlow completará 80 anos em outubro e mantém, sozinha, a propriedade onde reside, em Testo Rega

25e4c706511fc91ed936e001ebf60a3e.jpg Foto: Isadora Brehmer/JP

Há quem diga que o sexo feminino é considerado o sexo frágil. Porém, quem acredita nesta definição, com certeza não conhece Hanna Lora Ramlow, de 79 anos, que impressiona pela saúde, disposição e sagacidade. Quase completando oito décadas de vida, no dia 05 de outubro, a moradora do bairro Testo Alto dá, diariamente, uma lição de força e vivacidade.

Há 56 anos, a senhora reside em uma propriedade no interior e, sozinha, é responsável pelos cuidados com os animais, da horta e do jardim. “Todos os dias, eu tiro leite de minhas quatro vacas, duas vezes por dia. Eu também trato os meus outros animais, cuido da minha horta e capino, o que eu gosto muito de fazer”, conta dona Hanna. Tudo isso com um pequeno detalhe: ela fraturou o fêmur no início do ano e, hoje, anda sempre com o auxílio de uma bengala.

Na propriedade, ela cria, ainda, galinhas, patos, marrecos, porcos e frangos, além de plantar batata, batata doce, alface, brócolis, cenoura, couve-flor, cebolinha, cebola, entre outras verduras. Inclusive, Hanna divide sua produção com os vizinhos, que elogiam suas verduras, por sempre estarem grandes e bonitas.

Durante os cinco meses em que precisou ficar de repouso para se recuperar da fratura, Hanna afirma que foi o único período que ela ficou parada e sentiu falta de trabalhar. “Eu sempre trabalhei com a roça, nunca fora, em fábricas. Nunca tive muitos problemas de saúde e fiquei mais de 20 anos sem precisar ir ao médico”, relata a agricultora, que revela a preferência por andar descalça sempre que possível, mesmo em dias frios.

Mãe de quatro filhos, três homens e uma mulher, ficou viúva cedo, já que o marido morreu há 31 anos. Terminou de criar os filhos sozinha, além de, depois disso, ser responsável pelos cuidados com os sogros e os pais no fim da vida deles.

Para quem conhece Hanna, a memória da senhora impressiona. Se perguntar datas de aniversário e falecimento de parentes e conhecidos, ela saberá de cor, tendo a resposta na ponta da língua. “Eu gostava muito e era boa em aritmética. Fui uma das melhores alunas da sala, sempre acertando respostas de problemas que o professor passava. Mas saí da escola já na quarta série, para ficar com meu irmão mais novo”, comenta.

Dona Hanna também conserva lembranças curiosas da infância, como por exemplo, um episódio em Blumenau, quando tinha 12 anos. “Eu e minha família fomos para a festa de aniversário do centenário de Blumenau, em 1950. Eu me lembro que, no morro atrás de onde hoje é o shopping, tinha um letreiro de luz com os anos de 1850 e 1950, falando dos cem anos. Também me lembro da primeira vez em que fiz pão, com nove anos de idade. Usávamos folhas de bananeira para assar e lembro que não ficou bom”, relembra.

Ainda demonstrando o quanto a sua mente é ativa, dona Hanna revela que um de seus passatempos é assistir ao programa Roda Roda, do SBT, que é veiculado domingos à noite. De acordo com a agricultora, ela sempre consegue adivinhar facilmente quais são as palavras e isso é uma diversão para ela.

Com bom humor e força, dona Hanna vai levando sua vida e garante que, tirando as dificuldades causadas pela fratura no fêmur, ela está muito bem de saúde e pretende continuar assim por muito anos, ainda.

 



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Créditos: Isadora Brehmer/JP Isadora Brehmer/JP
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