Jornal de Pomerode

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A eterna mãe de um anjo

Conheça a história do amor de uma mãe, que supera até mesmo o luto. A inspiração vem de seu filho Tom, que virou uma estrelinha no céu, dias após o nascimento.

d85f3cb86176ef25d0a80875089fd612.jpg Foto: Arquivo Pessoal

O amor de um pai e uma mãe por seu filho é, provavelmente, o maior amor do mundo, que nasce desde o momento em que se descobre o surgimento de uma nova vida. E foi isso que experimentaram Ananda Mainhardt de Amorim e Renan de Amorim, pelo período de oito meses e três dias, da forma mais intensa, sendo um sentimento que se mantém até hoje. Isso porque, o primogênito do casal, Tom Mainhardt de Amorim, hoje é uma estrela no céu, deixando um legado de aprendizados, mesmo tendo estado no plano terreno por apenas três dias. Cerca de oito meses depois, Ananda e o marido têm o filho como sua principal inspiração para serem pessoas melhores, todos os dias.

A empresária conta que sempre gostou de crianças e como tem um irmão de apenas seis anos, quando ele nasceu, o desejo de ser mãe ficou mais forte. “Eu e meu marido estamos juntos há sete anos e, antes de termos um filho, queríamos viajar ao exterior. Pouco antes da viagem, começamos a tentar, fizemos os exames com o doutor Alexandre e eu parei de tomar o anticoncepcional. Três meses depois, percebi os sinais, fiz o teste e descobri que estava grávida”, relata.

A partir daí, ela começou a ter um cuidado maior com a alimentação e foi liberada para continuar praticando exercícios, como sempre fez. A gravidez foi correndo bem até a 26ª semana de gestação, quando é feito um exame de rotina para ver se o bebê tem alguma cardiopatia. Ali descobriram que Tom tinha um problema no coração. A cardiologista pediatra explicou que seria uma gestação tranquila e que seria feito um procedimento depois do nascimento, para tentar solucionar.

“Foi um choque, no início, mas sempre tivemos confiança de que tudo daria certo, acreditávamos nisso. Começamos a acompanhar a gestação mais de perto, indo ao médico de 15 em 15 dias e, também, descobrimos que o Tom era um ‘bebê pig’, ou seja, tinha um tamanho menor do que o normal”, explica Ananda.

No sétimo mês, começou a sentir pontadas, que não pareciam ser nada sério, até que começaram os sangramentos. Ananda procurou o seu ginecologista e ele informou que ela já estava tendo algumas contrações. A empresária ficou internada três dias, depois foi liberada, mas as contrações voltaram e retornou, por mais três dias, ao hospital. Ela até chegou a ser liberada, na segunda vez, mas no mesmo dia, voltou a sentir as contrações.

Ela e Amorim decidiram ir a Blumenau, no Hospital Santa Catarina, que tem uma estrutura melhor para atender casos mais complexos, como era o deles, pela cardiopatia de Tom. O casal entrou em contato com um ginecologista que já havia atendido Ananda anteriormente e ele constatou que as contrações estavam afetando os batimentos cardíacos do Tom. Foi realizada, então, uma cesárea e o menino veio ao mundo, no dia 04 de agosto, pesando 1,2kg.

“Logo que ele nasceu, veio ao mundo bem, chorando, e pudemos vê-lo por alguns instantes. Logo depois, ele foi para a UTI neonatal. Ele nasceu em um sábado e, no domingo à noite, o médico nos informou que haviam indícios de que o Tom teria Síndrome de Edwards”, relembra a mãe.

Mesmo assim, o casal acreditava que tudo daria certo, pois tinham uma vida em que poderiam dedicar ao Tom toda a atenção que ele iria precisar. “Já na segunda-feira, fomos ver o Tom pela manhã e ele estava com um pouco de dificuldade para respirar. O Renan falou com ele e eu também, e vimos que ele ficava mais calmo quando isso acontecia. Neste dia, eu pedi para o meu marido vir fazer a certidão de nascimento do Tom, pois queria o nome dele na placa de identificação na UTI e o Renan foi, aproveitando para resolver algumas outras coisas em Pomerode”, comenta. 

Durante a tarde, enquanto Ananda estava com o filho, os batimentos do menino começaram a ficar mais fracos e a orientação é que todas as mães deixem a sala, para que os médicos atendam a criança. A empresária relembra que logo que ela saiu, a psicóloga do hospital veio para junto dela e, depois de um tempo, foi ver como estava a situação na UTI neonatal.

“Quando ela voltou depois de ir ver se eu podia voltar, veio a enfermeira responsável por mim e a pediatra responsável pelo Tom, e eu logo soube que havia algo errado. Com calma, elas explicaram o que aconteceu e que o Tom, naquele momento, era uma estrelinha”.

Ananda ficou sem saber para quem ligar naquele momento, pois não queria abalar o marido dando a notícia por telefone, bem como, os pais. Então, ela ligou para sua doula, Elisângela, para que ela ajudasse a dar a notícia, porque não conseguia pensar em outro alguém que mantivesse a calma para informar o ocorrido, pois não queria abalar tanto outra pessoa. Ela aceitou prontamente acompanhar Amorim até o hospital, para que ele viesse com calma. “A Elis foi um anjo na Terra”, afirma Ananda.

O Hospital cedeu o tempo necessário para que o casal se despedisse de seu primogênito e Ananda garante que todos foram fundamentais para que aquele momento fosse o mais leve possível, o Hospital, as mães que foram solidárias, a família, a Elisângela, assim como os médicos que acompanharam a gestão e o nascimento do Tom. “Temos muito a agradecer às pessoas que estavam ao nosso redor, estamos, com certeza, em um círculo muito acolhedor. Pudemos ter três dias com 100% do tempo ao lado do Tom, três dias intensos e maravilhosos e na despedida, queríamos ficar apenas com as boas lembranças”, destaca Ananda.

Foi somente depois de 10 dias que Ananda e o marido voltaram a trabalhar em sua empresa de marketing. Na época, segundo a empresária, ela decidiu fazer um blog, relatando a experiência vivida. “Eu pesquisei muito para saber se algo poderia ter sido diferente, então, aprendi muito. O blog era um lugar onde escrevia sobre o que descobri, o que estava sentindo e a forma como enxergava tudo. E foi muito legal, porque surgiram mães que passaram pela perda do filho, mães que descobriram a síndrome durante a gravidez. Fez bem para mim e para muitas mães”.

Hoje, mais leve, sente apenas a saudade e relembra os momentos vividos na gravidez que, segundo ela, foi maravilhosa. Para Ananda, a vinda de Tom para o nosso mundo teve um grande propósito. “Ter tido o Tom e aqueles três dias foi um aprendizado. Naquele momento, eu e o Renan vimos que nos amávamos mais do que tínhamos noção. Ele foi o meu porto seguro naquele momento e percebemos o quanto queremos ser pais. O Tom nos transformou em pessoas melhores”, garante Ananda.

Ter tido o primeiro filho também trouxe aprendizados profundos para o casal, como perceber que existem coisas que não estão sob o nosso controle e que, um dia, todos partirão deste mundo, por isso aproveitar mais as pessoas é o mais importante. Ananda também chama atenção ao fato de que uma experiência como esta não pode fazer com que a pessoa deixe de ver a beleza na maternidade do próximo e afirma que continua sendo apaixonada por crianças.

Ananda e o marido possuem, hoje, tatuagens em homenagem ao Tom e outras recordações, porque o objetivo é manter viva a memória do primeiro filho. “Não deixamos de falar sobre ele, para que ele seja sempre lembrado. Porque entendemos que é extremamente importante ter ele vivo em nossa memória. Quanto mais manter esse amor vivo, melhor será a vida, porque a maternidade é para sempre, por isso, sei também que serei uma mãe ainda melhor, até porque quero, sim, realizar esse sonho”, conclui.

 

 

 



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