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A despedida de um campeão

Não é fácil encerrar um ciclo na vida. Mas saber a hora de parar, também é algo que deve ser louvado, ainda mais quando se levam apenas lembranças boas. Pois é justamente isso que está passando Sérgio Samuel Goede, decacampeão do Chope em Metro da Festa Pomerana.

465f0846c400a4a830272ba7eaa044fb.JPG Foto: -Final de 2018, na qual Goede se tornou decacampeãoDaiana Kopsch

Não é fácil encerrar um ciclo na vida. Mas saber a hora de parar, também é algo que deve ser louvado, ainda mais quando se levam apenas lembranças boas. Pois é justamente isso que está passando Sérgio Samuel Goede, 35 anos, decacampeão do Chope em Metro da Festa Pomerana e detentor do recorde histórico da prova, com 10”39, obtido em 2013. Ele declarou que quando chegasse ao 10º título, se aposentaria das finais.

Confira a descontraída entrevista concedida ao JP Esporte, sobre a decisão de parar e o quanto a Festa Pomerana é importante para a vida de Goede.

 

JP Esporte - Por que você resolveu se “aposentar” da Festa Pomerana?

Sérgio Goede - Na verdade, não vou deixar de competir na festa, apenas não participarei mais das finais. Não tem um motivo específico. As competições são uma brincadeira e eu me divirto muito com isso. Mas, nos últimos anos, estava se tornando uma “obrigação” eu ganhar. Eu me cobrava muito quando subia naquele palco, com o pensamento que eu teria que vencer, aí deixou de ser um divertimento e estava virando obsessão. Por isso, resolvi me “aposentar” das finais.

 

JPE - O que representa essa marca histórica de dez títulos para você?

SG - Eu participo desde 2006, mas da festa são mais de 15 anos e achava interessante as competições. Até que uma dia fui lá, tentei fazer e funcionou, logo de primeira. Na final daquele ano, terminei na quarta colocação. No ano seguinte, fiquei na segunda colocação e, em 2008, ganhei meu primeiro título. Em 2009 fui terceiro e, a partir de 2010, foram mais nove títulos seguidos. Meu grande adversário sempre foi o André Collares, de Belo Horizonte (MG) e meu objetivo sempre foi ganhar dele, pois era um espelho pra mim. Nos últimos anos, a disputa ficava sempre  entre “Oktoberfest” e “Festa Pomerana”, só que de lá vinham sempre em três ou quatro, e eu segurava as pontas sozinho aqui (risos).

 

JPE - Qual a sua opinião sobre a renovação nas competições típicas?

SG - Acho muito legal. No caso do Chope em Metro, tem o Éderson Moreira que, inclusive, fez um tempo melhor do que o meu durante a festa, cerca de 10 centésimos mais rápido. Ele está no caminho, pois já vem, há alguns anos, ficando entre os primeiros colocados.

 

JPE - Se puder revelar: qual a técnica para beber 600ml de chope em cerca de 10 segundos?

SG - Eu brinco muito com isso, afinal, não é qualquer pessoa que vai conseguir beber. Em primeiro lugar, tem que gostar do chope (risos). Além disso, ele tem que estar numa temperatura ambiente, senão você não consegue tomar. No meu caso, o líquido que fica na taça, (parte superior da tulipa), tem que ser tomado em um gole. Aí começa a entrar o ar e quando chega lá em cima na bolha, quando “explode”, é só administrar. O que influencia muito, também, é a inclinação da tulipa. Até o meu casamento, há três anos, eu nem treinava. Mas eu ganhei uma tulipa dos meus amigos e comecei a melhorar a técnica em casa, com água mesmo. Além disso, antes da competição, eu tomo meu chopinho, bem tranquilo. Mas meia hora antes, eu dou uma parada. No entanto, para a final, eu costumava ficar de duas a três horas sem tomar nada, nem água, para poder ter bastante sede e “lugar” para o chope.

 

JPE - Você já participou de outras modalidades?

SG - Já participei do Serrador e do Alles Wurst, mas não obtive muito sucesso (risos).

 

JPE - Qual a importância da festa para você?

SG - Eu sou um fã da festa, não posso negar. Praticamente, fui todos os dias, todos os anos, tanto eu, quanto minha esposa. Há diversos aspectos, como ótima gastronomia, diversos tipos de chope a escolher, limpeza. Não existe festa mais organizada que a Festa Pomerana, que possui a mesma idade que eu. Por isso, a importância dela em minha vida.

 

JPE - O que te marcou nesses anos de competições típicas?

SG - Tem algumas coisas que marcam. Há uns três anos, eu babei tanto, que chegou escorrer chope para trás das orelhas (risos). Teve outra vez que eu engasguei, porque eu respirei. Um dos segredos é não respirar durante a prova, mas naquela vez, eu respirei e acabei engasgando. Mas o que me marcou mesmo foi quando eu superei o André Collares, que há mais de 10 anos mantinha o recorde de 10”51. Eu buscava isso e consegui, afinal, os obstáculos estão aí para serem superados.

 

JPE - E você vai conseguir assistir a final, tranquilamente, em 2019?

SG - Com certeza. Até brinquei, nos grupos de Whatsapp, que meus concorrentes estão mais aliviados que eu não vou participar (risos). Tudo na brincadeira, até porque, somos amigos e eu sempre respeitei eles, mas a minha decisão está tomada. Por isso, quero agradecer aos meus amigos e minha família, que sempre me apoiaram.



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Créditos: Daiana Kopsch
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