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A companheira de todas as horas, que também sabe ser mãe

A doula Elisângela Meier relata como a experiência com a profissão a ajudou no relacionamento com a filha. Devido a estas variadas experiências com as mulheres, a profissão impactou diretamente na vida de Elisângela, que também é mãe e tem uma filha adolescente

f6b24b6501a0392070457416fd071e92.jpg Foto: Arquivo Pessoal

Elisângela Meier, há cerca de dois anos e meio, tornou-se a doula, aquela pessoa que acompanha as mulheres antes, durante e até mesmo depois da gestação. Ela, inclusive, foi fundamental para muitas mulheres passarem por este período com mais tranquilidade e força.

“Sempre gostei de estar ao lado das mulheres, levando informação para que pudessem seguir com mais autonomia e confiança. O trabalho de doula passa pelo feminismo, uma vez que é uma luta constante pelo respeito ao corpo e aos desejos da mulher (gestante, parturiente, puérpera, mãe). Decidi seguir por esse caminho porque vejo como uma possibilidade real de levar informação e contribuir para que a mulher encontre ou reencontre a confiança em si, e assim, encorajada e confiante, seja capaz de detectar e se desligar de relações que lhe façam mal. O que mais me chama atenção no trabalho de doula é ver a mulher sendo capaz de fazer escolhas que lhe satisfazem, capaz de tomar decisões por ela mesma, ciente da sua força e sabedoria. Essa descoberta repercute em todas as esferas da vida dessa mulher”, comenta Elisângela sobre a profissão. 

Devido a estas variadas experiências com as mulheres, a profissão impactou diretamente na vida de Elisângela, que também é mãe e tem uma filha adolescente, Cecília Meier. Sobre a mudança na sua visão sobre o ser mãe, a doula afirma que se tornou mais empática, aprendeu a respeitar ainda mais as escolhas de cada mulher, especialmente aquelas que divergem das suas escolhas. Aumentou, também, a sua admiração por todas, mães de filhos vivos, mães de filhos mortos e também pelas mulheres que não desejam filhos.

E, claro, essa mudança de opiniões trouxe alterações em sua relação mãe-filha, da maneira direta. “Mudei a maneira de me relacionar com o feminino e isso trouxe muitos benefícios para ela também. Ampliei meu repertório de auto- cuidado através de fitoterapia e isso me permitiu cuidar melhor dela. Precisei aprender a aceitar ajuda de outras pessoas nos cuidados com ela durante minha ausência, algo que até então eu não me permitia. Aumentou minha empatia com relação às escolhas dela. Aceitei ainda mais a ideia de que eu vir a me tornar avó não é uma decisão minha, mas dela. Ela se tornou muito mais autônoma depois que eu permiti essa libertação que fez crescer nós duas”, relata a doula.

Cecília, segundo sua mãe, gosta muito de entender o que Elisângela faz e como as evidências científicas justificam suas ações. A doula conta que sua filha pergunta muito sobre o tema, mas nunca pergunta singularidades das mulheres, porque entende sigilo profissional, e está sempre desmistificando o assunto nas rodas de amigos. “Ela acompanha tudo, curte meus estudos e as descobertas e, principalmente, compreende que quando saio em função de alguma mulher nada pode me fazer voltar para casa, nem ela”, ressalta Elisângela. 

A nova profissão, depois que ela trocou a sala de aula pela casa, proporcionou um aumento na proximidade entre mãe e filha, ainda mais do que ela e Cecília eram anteriormente.

“Nossa relação sempre foi muito próxima, mas quando você vivencia nascimentos, você reflete ainda mais sobre a morte. Nascer e morrer, para mim, são passagens similares. Esse insight me fez viver cada momento perto dela com mais qualidade. Cada dia como se fosse a última oportunidade de estar com ela. Hoje, nós temos uma relação repleta de amor, confiança e principalmente respeito. Não posso deixar meu amor por ela invadir o espaço pessoal dela nem o meu. Sou uma mulher completa independente dela. Sou capaz de ser feliz sem ser mãe. Isso me liberta e me dá leveza para amá-la sem aceitar e sem fazer cobranças”, garante.

Como muitas mães ainda não conseguem ter uma relação tão próxima com seus filhos em neste caso, Elisângela aconselha a obter essa proximidade por meio do respeito integral às escolhas dos filhos.

“Não projete em seus filhos seus desejos. Respeite, aceite e acolha a diversidade na maneira de se vestir, de se comportar, de se relacionar e de ser feliz. Entenda que seu filho não é seu. Ele é dele mesmo, apenas. Ame, apesar disso tudo e ainda que isso te amedronte, afronte ou desequilibre. Mostre que você está lá, sempre e apesar de tudo”, coloca.

E, por fim, ela enaltece que a mãe, embora tente sempre resolver tudo sozinha, precisa de companhia e de ajuda, em determinados momentos. Por isso, para encerrar, Elisângela deixa um conselho. “Nesse dia das mães, que tal você ser a rede de apoio de uma?”.



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