Jornal de Pomerode

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“A alternativa é a mudança”

Confira mais um texto da série de entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado de Santa Catarina

98e1703f1d0aedae80e4b56d5038bcf9.jpg Foto: Leonardo Rizzaro/Divulgação

Jornal de Pomerode - Se possível, gostaríamos de saber da sua história e do seu envolvimento com a política;
Rogério Portanova -
Eu iniciei minha história política ainda no final dos anos 70 e participei do congresso de reconstrução da UNE em 1979. A partir desta data participei de diversos congressos estudantis, políticos e acadêmicos. Fui presidente do centro acadêmico em 1981 e coordenador geral do DCE da PUCRS em 1982. 

Em 1980 fui um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e em 1982 concorri a vereador em Porto Alegre pelo PT. Em 1983 ingressei no mestrado de Direito na UFSC. Em 1983 comecei a dar aulas na universidade. Em 1986 concorri a Deputado Federal Constituinte pela Lista Verde (que era composta de diversos candidatos do movimento ambientalista e de diferentes partidos). Foi nesta data que ajudei a fundar o Partido Verde PV e conheci Marina Silva e Chico Mendes, que também foram candidatos em 1986. Em 1988 depois de concluir o mestrado fui fazer meu doutorado em Paris em Ciência Política trabalhando sobre o tema ecologia e política no Brasil e fiz um estudo de caso de Chico Mendes. Neste período fui o representante do PV brasileiro na Europa e participei em diversos congressos dos Verdes Europeus principalmente na França e na Alemanha. Também trabalhei junto ao Grupo dos Verdes no Parlamento Europeu e fui um dos coordenadores do 1º encontro dos Partidos Verdes dos 5 continentes, durante a Eco 92, no Rio de Janeiro. Em 1996 fui candidato a Prefeito de Florianópolis, em 1998 a Governador e novamente a Prefeito em 2000, todos pelo PV. Em 2010 voltei ao PV para ajudar na campanha de Marina Silva e a acompanhei nas eleições de 2014 e agora em 2018 estou ao lado dela como candidato a Governador.

A Rede Sustentabilidade é um conjunto de ideais e organização horizontal que veio ao encontro da minha trajetória de vida. Pude vivenciar este ideário quando morei em Paris e fiz meu doutorado. Acompanhei o trabalho dos Verdes na França, na Alemanha, na África e em outros lugares do Planeta. Vejo na Rede a reedição destes projetos. Temos um diálogo com o que há de mais avançado no campo da política e da ciência. Hoje sou professor titular da UFSC e acredito que possa oferecer os valores da educação, da ciência e da inovação tecnológica para um governo ético e competente para Santa Catarina.

JP - Cite cinco propostas presentes em seu plano de governo; 
RP-
Preliminarmente, é importante dizer que nosso programa de governo, que se chama o Mapa do Caminho, vai trabalhar numa perspectiva sistêmica e adotar os princípios de:  a)aprofundamento da democracia com instrumentos como o referendo e plebiscito de maneira mais constante para aproximar a população dos grandes temas de interesse do governo e da sociedade; b) a ética na política, punindo exemplarmente todo o desvio mal feito com o dinheiro público; c) a sustentabilidade e seu tripé mínimo de ser ambientalmente equilibrado, socialmente justo e economicamente viável e por fim, d) culturalmente diverso, tanto nos costumes como no ambiente, privilegiando a diversidade da vida.

Todos os temas tradicionais como educação, saúde, infraestrutura, saneamento, segurança, administração, etc., serão tratados sobre estes 4 vieses enunciados acima.

1ª Choque de gestão com base na inovação: Equilíbrio das contas do Estado através de uma auditoria da dívida pública, revisão completa das isenções fiscais e fim da ADRs. Renegociar os juros da dívida com o sistema bancário que em todos os momentos de turbulência foi o único que nunca entrou em crise e continua a aumentar seus lucros. Com estas medidas, acredito que o próximo Governador vai poder equilibrar as contas públicas e investir em áreas essenciais como saúde, educação, segurança, infraestrutura, etc.

Implantar uma administração com foco em resultados; com sistema de metas, indicadores e bonificação por desempenho.

2ª Saúde: Neste ponto vamos aplicar o que existe de inovação tecnológica na área para agilizar os exames de alta complexidade e barateamento do sistema com a telemedicina, acabando definitivamente com as filas e organizando o sistema, valorizando o SUS e aproximando o cidadão de uma medicina moderna e ágil.
Implantação do sistema de médico da família Universalização e melhoria dos serviços de saúde, com ênfase na atenção básica em parceria com os municípios.
Universalização e melhoria dos serviços com ênfase na atenção básica.

Atendimento de programas como Saúde da Família, com maior apoio aos idosos. Prevenção de doenças ligadas ao envelhecimento.

3º Educação: Aqui os valores sistêmicos de verdadeira revolução de paradigma vão se fazer sentir, valorizando o profissional da educação e implementando um novo olhar sobre os processos educacionais, como a criação das hortas comunitárias que vão alimentar a merenda escolar com produtos orgânicas e combater a epidemia de obesidade, contribuindo para equilibrar o binômio saúde e educação.

Promover a educação de qualidade e democrática, que contribua para a construção de novos sujeitos, capazes de transformar a sociedade rumo a um mundo sustentável. 

Dobrar o piso salarial dos professores.

Criação de creches públicas capazes de cumprir as metas do PNE.
Implantação escola de tempo integral.

Apoiar as bibliotecas públicas e comunitárias, museus e espaços educativos não formais. 

Esporte de qualidade em todas as escolas do município.

4º Infraestrutura: Trabalhar na perspectiva de uma nova matriz energética fazendo da Celesc referência em energia solar e criar novos modais de transporte para além do rodoviário como o ferroviáriário e intensificar a navegação de cabotagem, dando uma grande dinamizada nos portos catarinenses. Nesta perspectiva também entra a segurança trabalhando com o tripé: prevenção, repressão e ressocialização. Fortalecer as políticas preventivas municipais e o modelo do policiamento comunitário.

Integrar políticas públicas de educação e segurança, gerando programas de conscientização da população para a erradicação da violência.
Criar e incentivar programas de Vigilância Comunitária. 

5º Meio ambiente e sustentabilidade: Fortalecimento dos Conselhos de Meio Ambiente, com caráter deliberativo e paritário.

Elaboração de estudo técnico para definição da capacidade de suporte dos municípios e limites de ocupação, incluindo abastecimento de agua e saneamento, coleta e tratamento de resíduos.

Implementação de medidas que garantam a rápida universalização do saneamento nos municípios.

Criar núcleos municipais de compostagem para tratamento dos resíduos orgânicos. 

Atingir a meta de 100% de coleta seletiva. Fazer um governo Lixo Zero.

Preservação dos mananciais e agua como um bem comum.
 

JP - Porque decidiu se filiar ao REDE, partido de Marina Silva? 
RP -
Porque ela acompanha a tradição de ligar a política com o que tem de mais avançado no campo da ciência e da inovação e sem os dogmas ou preconceitos da política tradicional. Porque os valores da paz, sustentabilidade, diversidade cultural e ambiental estão presentes.

Porque Marina Silva será a próxima presidente da República e juntos vamos transformar Santa Catarina e o Brasil.

JP - Você já exerceu o cargo de Professor de Direito Ambiental, na UFSC.  Acredita que esta experiência pode contribuir com este futuro mandato? 
RP -
Esta minha experiência é de vital importância, pois um bom mandato necessita de experiência, ousadia e muito conhecimento que acredito ter adquirido ao longo de minha carreira como professor universitário titular e pesquisador. Pude aprender autores que estão na fronteira da ciência e apresentam teses que podem enfrentar os desafios do presente e do futuro.

Aprendi a viver com os critérios de qualidade, meritocracia e tolerância que pretendo levar para o serviço público e fazer uma revolução na forma de governar Santa Catarina.

JP - Na sua opinião, quais serão os principais desafios para um futuro governador do estado?
RP -
Incorporar os princípios da inovação tecnológica sustentabilidade em todas as áreas da administração do Estado. Permitir todas as miniestações culturais, religiosas e valorativas em um estado solidário e laico.

Podemos constatar que direita centro e esquerda não entendem a complexidade do real onde se colocam como opositores, mas de um mesmo modelo de modernidade excludente e predatória. Como vão transformar uma realidade da qual não entendem?

Não há alternativas tradicionais para a mudança; a alternativa é a mudança ela está na Rede Sustentabilidade e depende de um pequeno gesto no dia 7 de outubro que é votando 18 para Presidente e Governador com Marina Silva e Rogério Portanova para começarmos grandes transformações que o Estado necessita e a sociedade exige.

 

Rogério Portanova é o sexto governável entrevistado. A quinta edição, com outro candidato, você pode conferir aqui



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