Jornal de Pomerode

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10 anos de tristes lembranças

Casal que perdeu a casa, durante a tragédia de 2008, relembra as histórias da data que ficará marcada em sua memória. Em Pomerode, alguns bairros sofreram com os deslizamentos e a cheia do Rio do Testo, que transbordou em algumas partes da cidade, alagando estas áreas

899396bf533c84579e348837415dc263.jpg Foto: Raphael Carrasco/JP

Imagine ver de perto, parte do seu patrimônio destruído em questão de minutos. A sensação de vivenciar um momento como esse, será descrita por Edson Ringenberg e Suely Laura Pereira Ringenberg, que perderam sua casa após um deslizamento de terra, durante a catástrofe de 2008, no dia 23 de novembro.

Tudo começou durante a noite do dia 22, quando houve um pequeno deslizamento que atingiu alguns cômodos da casa. Após perceber que a terra havia descido do morro, em direção à residência, resolveram pernoitar na casa do irmão. No dia seguinte, domingo, dia 23, o casal Ringenberg, familiares e amigos voltaram até a residência quando se depararam com o muro caído e notaram que a terra havia invadido a cozinha. 

Foi aí, então, que resolveram fazer uma limpeza no entorno da casa até o meio da manhã, quando o vizinho Wilson Ewald, avisou que, no alto do morro, havia uma rachadura, na qual a água estava infiltrando e deixou o alerta de que o deslizamento poderia ser maior do que eles imaginavam. O casal atendeu a recomendação de Ewald e voltou até à casa para pegarem documentos, roupas e outros itens. 

Depois de, praticamente, 30 minutos que haviam saído do local, ouviram um forte estrondo, e em questão de segundos, a residência havia sido totalmente destruída pela terra que desceu do morro.  E, o mais importante dessa história, é que toda a família e quem estava ajudando na recuperação da casa, antes da tragédia acontecer, conseguiram sair a tempo, preservando 13 vidas.

Edson estava na casa da mãe e só escutou o barulho forte que foi emitido durante a queda da barreira. Já Suely estava mais próxima do local e viu o exato momento da destruição.

“É uma imagem que nunca irá sair da minha cabeça. Foi muito triste ver de perto o seu patrimônio, que foi erguido com muito esforço, ter esse fim. Porém, o mais importante é que todos nós estamos vivos e, com mais uma batalha, conseguimos construir uma nova moradia”, comenta.

Depois de alguns dias que a terra desceu em direção à residência, o casal, juntamente com outros familiares e amigos que fizeram durante a tragédia, como por exemplo, Francisco e Teolina Buettgen e a família Fischer, voltaram ao local para tentar resgatar itens que estavam dentro da residência. Um dos momentos que mais marcou Suely, foi quando Francisco vasculhou a área que era o quarto do seu filho caçula, André Lucas, que foi totalmente destruído.

“O Seu Francisco foi até lá para tentar resgatar alguns brinquedos dele. E um dos seus preferidos era um carrinho do ‘Relâmpago Mcqueen’. Quando ele voltou dos escombros com o carrinho que ele tanto adorava, meu filho chorou muito e agradeceu a ele. Com certeza, foi um dos momentos que mais me marcou”, relata a moradora.

Nesta semana, nossa equipe se encontrou com o casal, onde a antiga residência era localizada. No terreno, ainda é possível ver alguns resquícios da destruição, como pedaços de calhas, telhas e até um forno micro-ondas, levado pela força da terra que desceu do topo do morro, que ficava um pouco atrás da casa. 

Mas a força de viver da família Ringenberg foi tão grande, juntamente com o apoio de toda família e amigos, que hoje, depois de muito esforço, conseguiram construir uma casa nova, próxima da antiga. E, o mais curioso de tudo isso, é que algumas telhas e outros materiais que foram recuperados, foram reaproveitados na construção da nova moradia.

“Isso só foi possível por causa do apoio que nós recebemos do Seu Francisco, Dona Teolina, família Fischer e nossos familiares. Houve momentos que nós precisávamos de um abraço, um carinho, pois foi muito difícil passar por tudo isso. Sem contar que tenho total gratidão pelo Seu Wilson, pois foi ele que nos convenceu a sair da nossa residência, salvando as nossas vidas”, conta Suely, demonstrando a força do povo catarinense, que já sofreu muito com inúmeras catástrofes que passaram pelo Estado, mas sem perder a esperança de poder reerguer e voltar para suas rotinas.

 



Galeria de fotos: 2 fotos
Créditos: Raphael Carrasco/JP Arquivo JP
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